OIT diz que Portugal caiu na "armadilha da austeridade"

A OIT diz ainda que não há nenhuma relação entre as reformas nas leis laborais e a criação de emprego e que a austeridade não melhora o défice fiscal. O relatório sobre o mundo do trabalho em 2012 foi divulgado esta segunda-feira pelo organismo das Nações Unidas e aponta um défice de 50 milhões de empregos em relação ao período antes da crise de 2008.
Foto Paulete Matos

A Organização Internacional do Trabalho diz que nos países que apostaram na austeridade e maior desregulamentação, principalmente os do Sul da Europa, a evolução do emprego e da economia continuou a deteriorar-se. Trata-se da "armadilha da austeridade" que resultou em fraco crescimento económico, maior volatilidade do setor financeiro, levando a menos crédito e investimento e menos emprego. "Ironicamente, isto afetou adversamente os orçamentos governamentais, aumentando os pedidos de mais austeridade". A OIT assinala ainda que está provado que a austeridade não tem impactos positivos nos défices fiscais dos países onde tem vindo a ser aplicada.

No seu relatório "O mundo do trabalho em 2012", a OIT apela aos países a que façam "uma mudança dramática na abordagem política", e reconheçam "a importância de colocar o emprego no topo da agenda política e a necessidade de coerência nas políticas macroeconómicas, sociais e de emprego".

"É possível afastar-nos da armadilha da austeridade", conclui a OIT, recordando as recomendações do relatório do ano passado, que propunha aumentos salariais de acordo com a produtividade, aumento coordenado dos salários mínimos e a definição de marcos obrigatórios nos direitos laborais, começando pela ratificação das principais Convenções da OIT por parte dos países do G20.

"É improvável que a economia mundial cresça a um ritmo suficiente nos próximos anos para cobrir este défice de emprego e ainda arranjar trabalho aos mais de 80 milhões cuja entrada no mercado laboral é esperada nesse período", começa por apontar o sumário do relatório, que diz ainda que a tendência "é especialmente preocupante na Europa, onde o desemprego cresceu em cerca de dois terços dos países desde 2010".

"Este não é um desaceleramento normal do emprego", prossegue o relatório, argumentando que os quatro anos desde a crise financeira de 2008 tornaram mais estruturais os desequilíbrios no emprego e ameaçam excluir definitivamente os desempregados de longa duração, "incapazes de arranjar um novo emprego mesmo quando há uma forte recuperação" económica.

O aumento da precariedade e instabilidade laboral é também assinalado, bem como a ausência de efeitos positivos das políticas de desregulação das leis laborais, que "não conseguem impulsionar o crescimento e o emprego no curto prazo - o momento-chave em qualquer situação de crise".

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