OEA vai discutir conflito diplomático sobre Assange

A Organização dos Estados Americanos decidiu esta sexta-feira convocar uma reunião extraordinária com todos os ministros dos Negócios Estrangeiros dos seus países-membros para discutirem o conflito diplomático entre Equador e Reino Unido em torno do jornalista Julian Assange.
Reunião desta sexta-feira em Washington do Conselho Permanente da OEA. Foto OEA/Flickr

Segundo a AFP, a reunião está marcada para o dia 24 de agosto na sede da entidade, em Washington.

A pedido do governo equatoriano, a reunião foi aprovada por 23 votos (incluindo todos os sul-americanos e o México) a favor e três contra (dos Estados Unidos, Canadá e Trinidad e Tobago). Panamá, Honduras, Barbados, Jamaica e Bahamas abstiveram-se. Participaram da votação os representantes diplomáticos dos países na OEA. O tema da discussão será para tratar da “inviolabilidade dos locais diplomáticos do Equador no Reino Unido”.

Para EUA e Canadá, contrários a discutir o assunto, este tema “é de competência exclusiva dos governos de Londres e Quito”, cabendo à OEA somente chamá-los para o diálogo. "Acreditamos que uma reunião de ministros não será útil e poderá ser prejudicial para a reputação da OEA", afirmou a embaixadora dos EUA na organização, Carmen Lomellin.

O pedido de reunião extraordinária pelo Equador foi realizado diante das ameaças do governo britânico de tirar Julian Assange à força da embaixada do Equador em Londres, uma dia antes de o país sul-americano ter concedido asilo diplomático ao fundador do site Wikileaks.

O Equador anunciou a concessão do asilo por considerar que existem riscos para sua integridade e sua vida em consequência das informações divulgadas pelo Wikileaks, extremamente prejudiciais ao governo dos Estados Unidos. Quito aceitou os argumentos de Assange, que denuncia uma perseguição política de vários países devido à divulgação de centenas de milhares de comunicados diplomáticos e documentos dos EUA – em especial às que fornecem informações sobre as guerras e ocupações no Iraque e no Afeganistão.

Assange, que lançou o Wikileaks em 2010, é procurado pela Justiça da Suécia para responder por um suposto crime sexual, no qual ainda não foi acusado nem indiciado. No Reino Unido, ele travou uma longa batalha jurídica contra a sua extradição para o país escandinavo, que se recusava a interrogá-lo em solo britânico. No entanto, o Supremo Tribunal do Reino Unido decidiu que ele deveria ser extraditado. No dia 19 de junho, o jornalista procurou asilo na Embaixada do Equador em Londres, em uma jogada classificada como “tenaz” pela imprensa local.

Assange teme que, após ser preso na Suécia, os Estados Unidos peçam a sua extradição, onde poderá ser julgado por crimes como espionagem e roubo de arquivos secretos.

 


Artigo publicado no site da Opera Mundi

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