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Odivelas: Bloco quer impedir maioria absoluta do PS e derrotar "candidato saltitão" do PSD

Na apresentação da candidatura a Odivelas, Paulo Sousa acusou o PS de transformar o concelho “numa república da opacidade”. Cláudia Elias, candidata à Assembleia Municipal, quer o Bloco como “a voz que defende os serviços públicos, que não se cala perante discriminações.”
Paulo Sousa, candidato do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal de Odivelas e Catarina Martins, coordenadora nacional do Bloco de Esquerda. Foto esquerda.net.

A emblemática Casa dos Caracóis foi o espaço escolhido por Paulo Sousa na apresentação da sua candidatura à autarquia de Odivelas.  A sessão de apresentação contou com a presença da coordenadora do Bloco, Catarina Martins.

O candidato bloquista quer uma candidatura que lute contra a falta de transparência, porque “o PS e PSD transformaram Odivelas numa república da opacidade, onde imperam as rubricas escondidas nos orçamentos municipais, as Parcerias Público Privadas (PPP) nos grandes equipamentos, as avenças e os avençados, a privatização dos serviços públicos que retiram a sua gestão da esfera democrática”.

Referindo-se ao candidato do PSD nestas autárquicas, Paulo Sousa afirmou que outro dos objetivos da sua candidatura é "garantir que Fernando Seara, o candidato saltitão que fez carreira a prometer cumprir em Lisboa o que não cumpriu em Sintra, acumula no seu currículo mais uma histórica derrota eleitoral".

Para além da opacidade no concelho que classificou de “‘offshore” da democracia” nacional, Paulo Sousa lembrou que Odivelas ocupa o lugar 150 no índice de transparência dos municípios portugueses” e que é urgente “uma correta e transparente gestão das verbas públicas, com rigor e transparência, com empenho e dedicação à causa pública.”

Os bloquistas querem lutar contra a precariedade laboral numa autarquia que se comporta como um “offshore laboral”, com muitos “vínculos precários e onde se multiplicam os Contratos Emprego Inserção (CEI) das juntas de freguesia e escolas, onde há pessoas a trabalhar praticamente a custo zero”. O candidato disse ainda que Odivelas é o concelho “onde o maior empregador privado do concelho é uma empresa de trabalho temporário”.

Paulo Sousa frisou que é necessário combater a especulação imobiliária e fazer um “combate à nova construção e à construção desenfreada” no concelho. Para o candidato do Bloco, é necessário responder às questões da habitação como a criação de um “um Plano de Erradicação de Barracas, que leva mais de 20 anos de atraso, para os habitantes do bairro do Barruncho e uma intervenção concertada nos bairros do IHRU, deixados ao abandono há demasiados anos e que estão hoje num estado lastimável”.

O quarto problema identificado é o da mobilidade, com o candidato a fazer a defesa de mais e melhores transportes para os habitantes de Odivelas. Paulo Sousa lembrou que em Odivelas o diagnóstico está feito: “transportes insuficientes, um trânsito infernal, horas para chegar ou voltar do trabalho. A tudo isto se junta a completa inexistência de mobilidade interna, num concelho em que a única volta do “Voltas” (serviço de transporte da autarquia) liga o centro da cidade ao centro comercial mais próximo”.

O Bloco de Esquerda vai concentrar-se na mobilidade para a implementação de uma “rede de transportes públicos inclusiva, com acesso a pessoas com mobilidade condicionada, circulação dentro do concelho, com criação de linhas de bairro, criação de ciclovias internas ao concelho e também com ligações intermunicipais”. 

Paulo Sousa falou ainda da importância do estacionamento “devidamente ordenado, sem que seja para entregar a gestão à EMEL, num negócio estranhíssimo e ainda não explicado em que Fernando Medina anuncia a construção de parques de estacionamento num concelho, para serem geridos pela empresa municipal do concelho vizinho”.

No final do discurso falou da importância dos serviços públicos, defendendo escolas em condições e mais serviços de prestação de cuidados saúde.

“Queremos responder aos problemas de quem cá vive. Por isso, no concelho que se orgulha de ter a maior taxa de natalidade do país, tem de haver creches públicas que garantam que a paternidade e maternidade não são um peso que as famílias não podem suportar”, frisou o candidato.

Paulo Sousa referiu o número de pessoas sem médico de família no concelho: “53 mil pessoas sem médico de família, um terço dos habitantes deste concelho onde o maior equipamento de saúde é entregue ao Grupo Espírito Santo, em Loures.” Prosseguiu dizendo que,  “os equipamentos de proximidade em Famões, no Olival Basto ou em Odivelas foram sucessivamente adiados há mais de trinta anos.”

A lista do Bloco de Esquerda à Câmara de Odivelas é constituída sobretudo por jovens, com paridade “assumida por inteiro, porque as mulheres são metade deste concelho e metade deste país”, referiu ainda o candidato Paulo Sousa. 

Na lista conta ainda com operários e ativistas que se têm batido por uma comunidade mais democrática e inclusiva: “somos desempregados, precários e reformados que sabem que um país decente não deixa ninguém para trás; somos sociólogos, antropólogos, engenheiros e arquitetos que pensam a cidade” disse.

 

Parar com as privatizações da direita, defender as pessoas

Cláudia Elias é a candidata do Bloco de Esquerda à Assembleia Municipal de Odivelas e no discurso de apresentação da candidatura fez um balanço do trabalho desenvolvido: “Há quatro anos, o Bloco de Esquerda partiu para as autárquicas em Odivelas com a determinação de uma maior presença na Assembleia Municipal. Conseguimos.”

Em seguida, a candidata falou do combate do Bloco à privatização dos Serviços Municipalizados de Loures e pela criação dos serviços intermunicipalizados. O Bloco ajudou a parar uma proposta do executivo anterior “para a concessão, a 30 anos do abastecimento de água, da rede de esgotos e da recolha de resíduos sólidos”. Relembrou que o negócio foi travado “graças à conjugação de vontades, esforços e lutas, os Serviços Intermunicipalizados de Águas e Resíduos de Loures e Odivelas são uma realidade. Foi uma grande vitória dos trabalhadores e da população, mas também do Bloco de Esquerda, que abraçou esta luta desde o início”.

Cláudia Elias falou depois de cultura e da intenção de PS/PSD de passarem para mãos privadas o Centro Cultural da Malaposta, uma referência nacional para a cultura: “Isto significa que a autarquia vai não só entregar de mão beijada o espaço com maior relevância cultural em Odivelas, como também cedeu mais de 66 mil euros ao sector privado, em projetos, aquisições, limpezas, reparações e outras intervenções.”

A candidata lembrou que a Malaposta “foi sempre um espaço de música, teatro, pintura, cinema, dança e outras formas de arte. Um espaço de profissionais, mas também de muitos os projectos que deram voz a bandas e grupos de teatro amadores ou mesmo a jovens das escolas do concelho.”

Para o Bloco de Esquerda, é preciso reverter a cedência de espaços culturais dos cidadãos aos privados, para que se possa encarar “a Cultura com a importância que ela tem, inclusive na Educação, na Inclusão e na Saúde, pela capacidade que tem de construir pontes e fomentar o pensamento critico e criativo.”

Cláudia Elias assumiu ainda o compromisso de o Bloco de Esquerda continuar a lutar por uma “vida digna para todas as pessoas” e “defender mais e melhores transportes, sobretudo dentro do município, para que sejam facilitadas as idas a locais tão essenciais como o Hospital ou centros de saúde”.

A candidata disse ainda que o compromisso do Bloco é defender mais direitos e menos betão e “a não degradação do património histórico e cultural, para que possa estar aberto à população”.

O Bloco vai continuar a “insurgir-se contra os contratos de emprego e inserção na Câmara Municipal e as Juntas de Freguesia” e vai exigir estações dos correios em todas as freguesias e vai lutar por um melhor ambiente na cidade contra a “utilização de herbicidas com glifosato”.

Garantiu, ainda que a acção na Assembleia Municipal continuará a “dar a voz à população de bairros votados ao esquecimento pela Câmara Municipal. Estar ao lado dessas populações, defender os seus direitos quando nenhum membro do executivo camarário ousa passar por perto”. Por fim, a candidata afirmou a vontade do Bloco na Assembleia Municipal  em ser a voz da exigência autárquica nas áreas da Educação, na Saúde, na Habitação, nos Transportes e na Cultura em Odivelas.

Catarina Martins :“Descentralização sim, mas não em nome do clientelismo”

Na mesma linha das exigências elencadas pela candidata à Assembleia Municipal de Odivelas, a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, lembrou que “em tempos fiz muitos quilómetros para vir à Malaposta para ver teatro e acho que Odivelas deve afirmar-se assim, como um local onde as pessoas também querem ver teatro”.

Para a coordenadora do Bloco de Esquerda, é preciso uma “nova exigência do trabalho autárquico” e defendeu que a “a transparência é a primeira exigência do poder autárquico”, corroborando o discurso de Paulo Sousa, candidato à Câmara de Odivelas.

Catarina Martins falou da necessidade de descentralizar o país e dar mais autonomia às autarquias, mas antes de dar esse passo deixou uma questão: “Podemos nós ter um processo de descentralização que seja tão opaco como tem sido a gestão das autarquias?”

Para a líder bloquista, “descentralização sim, mas não em nome do clientelismo”, aconselhando que se deixe a lógica “da obra feita, para passarmos ao discurso do direito efectivado” no plano dos direitos ambientais, culturais e de inclusão, "e depois sim, decidir a obra que vamos fazer.”

Catarina Martins afirmou que o Bloco de Esquerda se recusa “olhar para Odivelas ou outro qualquer sítio como lugar de passagem ou um dormitório” e que é preciso melhorar a mobilidade no “acesso ao trabalho, aos serviços públicos, ao lazer, à cidadania”.

A líder do Bloco terminou dizendo que Odivelas deve bater-se por ser uma autarquia com precariedade zero, responsabilidade que o Bloco deve assumir de forma “a dar o exemplo necessário, para sermos duros no combate à precariedade no privado”.

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