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O tempo voa quando nos estamos a divertir. Sabe porquê?

Equipa do Centro Champalimaud identificou circuitos de neurónios que estimam o tempo decorrido, ajudando a compreender por que razão a perceção da passagem do tempo é tão subjetiva.
Criança a brincar com folhas secas.
Criança a brincar com folhas secas. Foto de Philippe Put/Flickr.

Quando nos divertimos, o tempo parece passar a correr, mas quando estamos aborrecidos, quase fica parado. Uma equipa de investigadores do Centro Champalimaud investigou a perceção da passagem do tempo e identificou em cérebros de ratinhos circuitos neuronais que modulam o processo. 

O estudo foi publicado na conceituada revista Science, e, segundo se pode ler num comunicado divulgado pelo centro de investigação, embora o mecanismo específico ainda esteja por compreender, "os cientistas identificaram, pela primeira vez, circuitos neurais que modulam a estimação do tempo decorrido – pelo menos no cérebro do ratinho”. O estudo revelou que "a manipulação da atividade de certos neurónios no cérebro do ratinho levava estes animais a subestimar ou sobrestimar a duração de um intervalo de tempo fixo”.

O trabalho foi conduzido por Joe Paton, Sofia Soares e Bassam Atallah, respetivamente investigador principal, estudante de doutoramento e investigador pós doutoramento, que há vários anos tentam perceber as vias utilizadas pelo cérebro para a construção de uma experiência tão subjetiva como a da passagem do tempo. Esta pesquisa insere-se num projeto mais complexo, que estuda a forma como o cérebro relaciona causas com efeitos, mesmo ao longo de grandes períodos de tempo.

Os investigadores centraram-se num tipo específico de neurónios que libertam um neurotransmissor chamado dopamina, chamados por isso de neurónios dopaminérgicos, que constituem a 'substantia nigra pars compacta’, uma zona profunda do encéfalo envolvida no processamento temporal.

Os autores explicam no seu artigo na Science, citado pela agência Lusa que os “neurónios dopaminérgicos estão implicados em muitos dos fatores e perturbações psicológicos associados a alterações na estimativa do tempo", tais como a motivação, mudanças sensoriais, de atenção, de novidade, ou emoções tais como o medo ou a alegria. A destruição da 'substantia nigra’ em humanos está relacionada com a doença de Parkinson, que também é acompanhada de deficiências da perceção da passagem do tempo.

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