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Nuvem de poluição radioativa na Europa terá origem russa

Dados oficiais russos indicam níveis de radioatividade mil vezes acima do normal, reforçando a tese de acidente nuclear na região e corroborando o relatório do Instituto francês de Radioproteção e Segurança Nuclear, divulgado no início de novembro.
Nuvem de poluição radioativa na Europa terá origem russa
No início de novembro, foi tornado público o relatório do Instituto francês de Radioproteção e Segurança Nuclear (IRSN), que deu conta de que havia uma nuvem de poluição radioativa na Europa.

Sabe-se agora que, no final de setembro, o serviço meteorológico russo mediu a poluição de um isótopo radioativo nos Montes Urais e encontrou os níveis quase mil vezes acima do normal. Estes são os primeiros dados oficiais russos a reforçar os relatórios que davam conta da ocorrência de um acidente radioativo nesta região. Tudo aponta para uma fuga no tratamento de lixo radioativo e não a explosão de um reator ou arma nucleares, adianta o jornal britânico The Guardian. A empresa que gere um dos complexos nucleares em causa nega que tenha existido um acidente.

Primeiro foi a Áustria a detetar níveis anormais de radioatividade, no passado dia 3 de outubro. No dia seguinte foi a Alemanha e, no início de novembro, foi tornado público o relatório do Instituto francês de Radioproteção e Segurança Nuclear (IRSN), que deu conta de que havia uma nuvem de poluição radioativa na Europa e que esta teria origem num acidente numa instalação nuclear na Rússia ou no Cazaquistão, na última semana de Setembro. Porém, não há registos de impacto na saúde humana ou no meio ambiente na Europa, diz o IRSN.

Certo é que o serviço meteorológico russo, Roshydromet, comunicou, na passada segunda-feira, a descoberta de “poluição extremamente alta” de ruténio 106, em duas estações meteorológicas na região sul dos Urais, no final de Setembro e início de Outubro. Na estação meteorológica de Agrayash, os níveis eram 986 vezes superiores aos do mês anterior, enquanto na estação de Novogorny eram 440 vezes superiores.

A estação meteorológica de Agrayash está localizada a cerca de 30 quilómetros do complexo de Maiak, cuja produção representa metade das exportações russas de isótopos radioativos. Este complexo pertencente à empresa nuclear russa Rosatom e aqui é reprocessado combustível nuclear e produzido material radioativo para fins industriais e de pesquisa.

O serviço meteorológico russo não descartou que o isótopo radioativo pudesse ser absorvido pela atmosfera e tivesse chegado à Europa.

Greenpeace exige investigação perante suspeita de ocultação do acidente nuclear

Até agora, nem a Rússia nem o Cazaquistão reconhecem qualquer acidente. Segundo o The Guardian, a própria Agência Nuclear Russa nega os dados do relatório da agência francesa.

O Instituto de Física Nuclear no Cazaquistão, próximo dos Montes Urais, disse que não houve acidentes no seu reator de pesquisa científica nem encontrou ruténio 106 nas duas áreas de teste desativadas na zona oeste do país.

Perante isto, a Greenpeace já exigiu uma investigação, dada a suspeita de ocultação do acidente nuclear. Em comunicado, a associação ambientalista também exige que, naquela região, “seja verificado se o sistema de monitorização de radionuclídeos atmosféricos está suficientemente preparado para possíveis acidentes e se a saúde pública está suficientemente protegida de uma possível libertação de ruténio 106”.

Um dos piores desastres nucleares da história foi em Mayak

Em 1957, Mayak foi o local de um dos piores desastres nucleares da história, na altura encoberto pelo regime. A catástrofe ficou conhecida como “O Desastre de Kyshtym”.

Segundo o The Guardian, este ano, as remessas de combustível nuclear para submarinos já gasto, deixadas numa base naval do Ártico, desde o período soviético, serão enviadas para Mayak. Aqui, este combustível será depois reprocessado e reutilizado para uso em reatores nucleares civis.

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