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“Ninguém pode ganhar 90 vezes mais que um trabalhador da mesma empresa”

Catarina Martins exigiu um limite aos leques salariais das empresas para uma maior distribuição da riqueza, evitando disparidades salariais como as da EDP ou do Pingo Doce.
Catarina Martins discursa na Maia.
Catarina Martins discursa na Maia.

Catarina Martins interveio esta sexta feira no lançamento das candidaturas de Silvestre Pereira à Câmara Municipal da Maia e de Francisco José à Assembleia Municipal da mesma localidade. Na sua intervenção, a coordenadora do Bloco exigiu a criação de um limite aos leques salariais das empresas, para evitar situações como a do Pingo Doce, em que Soares dos Santos (filho) ganhou em 2016 o mesmo que 90 trabalhadores da sua empresa.

Para a dirigente bloquista, em Portugal há uma falta de “regras para a economia e exigência de justiça na redistribuição de riqueza e daquilo que é de todos e de todas e que construímos com o nosso trabalho”. "Só há três países na Europa com uma desigualdade salarial superior à de Portugal, e todos eles têm economias mais frágeis que a portuguesa. É preciso tomar posição e fazer alguma coisa", argumentou Catarina.

A coordenadora do Bloco apresentou três medidas para aumentar a redistribuição de riqueza. Em primeiro lugar, "recompor a legislação laboral para recuperar direitos que protegem os salários da maioria dos trabalhadores". Por outro lado, fazer uma "alteração fiscal que seja capaz de tributar de forma mais justa os dividendos e os lucros, porque neste momentos os salários pagam proporcionalmente muito mais imposto". Por último, a introdução de leques salariais nas empresas, tal como já está a ser feito noutros países. "Uma empresa privada pode determinar os seus salários, mas a diferença máxima entre quem ganha menos e quem ganha mais tem de ter um limite", explicou Catarina.

Soares dos Santos, por exemplo, quase duplicou o salário de 2015 para 2016 e ganhou no ano passado 1.27 milhões de euros. “Não podemos ter setores de privilégio ilimitado, precisamos de regras na economia para que o país possa ser mais justo. É preciso limitar os leques salariais das empresas porque ninguém pode ganhar 90 vezes o que ganha o trabalhador da empresa, tem de haver um limite a este assalto”, afirmou Catarina. “Precisamos de repor os direitos de quem trabalha e acabar com este abuso de tão poucos sobre tantos”.

Soares dos Santos “ganhou sozinho aquilo que paga, em média, a 90 trabalhadores e aumentou o seu próprio salário em 46%”, resumiu Catarina. “Será que algum dos trabalhadores do Pingo Doce teve um aumento salarial de 46%? Algum dos fornecedores da Jerónimo Martins viram a situação melhorar sequer, uma quarto do que melhorou a situação do patrão do Pingo Doce?”

Num outro exemplo, Catarina Martins lembrou que Portugal é o país onde o esforço no salário para pagar a energia é um dos maiores da Europa, mas António Mexia, na EDP, ganhou no ano passado mais de dois milhões de euros. “A cada dia que passou, Mexia ganhou dez salários mínimos nacionais. Por dia, são mais de 5 500 euros. O patrão da mesma empresa que tem os trabalhadores temporários em call centres, com as práticas mais abusivas de trabalho, com toda a insegurança e pressão e quase nada de salário”, afirmou Catarina. "Estamos a debater com o governo medidas de tributação para que o capital não pague menos do que o trabalho e medidas para recuperação da legislação laboral. Precisamos de começar a introduzir este novo tema no debate político em Portugal", concluiu Catarina.

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Comentários

Concordo integralmente,há gestores, administradores,etc,em alguns casos têm rendimentos "obsenos" comparativamente com outros trabalhadores da mesma empresa/grupo,mas,esta medida faz sentido e devia ser posta em pratica particularmente nas empresas publicas (ou cujo capital social de alguma forma seja detido por entidades directamente ligadas e/ou dependentes do Estado),uma vez que em empresas "particulares" em que a integralidade dos capitais são de privados creio ser legitimo serem os mesmos a defenir quem ganha quanto,por muito que achemos as disparidades injustas...

Posso estar equivocado, mas ao longo da historia das civilizações , uma medida que permita fazer com que TODO um (sub-)colectivo medite, é mais eficiente que uma lei de tábua raza que é o que o que parece que o BE pretende apresentar?
~
Fica a minha humilde recomendação , que em jeito de post-it de Mgueis,
lhe dririjo Catarina :

MEDIDAS PARA UMA MELHOR REDISTRIBUIÇÃO SALARIAL.

Incidir majoração - ou noutro prisma minoração - no IRC segundo o grau de distributividade salarial interna empresarial ,calculada por:

IRC_FINAL= IRC_INICIAL + (OPTM_MAX - OPTMfactor ( MediaMODA_Salarial / SALARIO_MÀXIMO ) )

IRC_FINAL Limitado entre ( IRC_INICIAL, OPTM_MAX ) em que ,
MediaMODA - média modal salarial de todos trabalhadores sem ter em conta renumeração SALARIO_MÀXIMO
OPTMfactor - calculado a fim de optimização de benefício estatal
SALARIO_MÀXIMO - referente à maior renumeração

Somando todas essas renumerações acima da média salarial , observamos que é dinheiro supérfluo e estagnado, que poderia estar a ser investido seja no ponto de vista ideológico de direita ) em novas startups, seja na perspectiva de esquerda, em investimento público directamente relacionado com o bem-comum! Sou a favor de que o Estado cativa as empresas a tornem-se redistribuidoras de riqueza internamente no seio das empresas... Ou seja Taxa De REdistributividade implicada em IRC!!!

(Falta a opção "sobregravar anterior msg? [x] )
[EDIT]
Somando todas essas renumerações acima da média salarial , observamos que é dinheiro supérfluo e estagnado, que poderia estar a ser investido seja no ponto de vista ideológico de direita ) em novas startups, seja na perspectiva de esquerda, em investimento público directamente relacionado com o bem-comum! Sou a favor de que o Estado "deve cativar" as empresas a tornem-se veiculos redistribuidores de riqueza internamente .. Ou seja, ha necessidade imperiosa de pensar-se em Taxa De Redistributividade implicada em IRC!!!

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