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“Não podemos perder o turismo para a cidade mas também não podemos perder a cidade para o turismo”

O candidato do Bloco à Câmara do Porto, João Teixeira Lopes, sublinhou que “não é uma questão de ser contra o turismo nem de diabolizar o turismo. É uma questão de impor regras para garantir que quem quer viver no Porto tem condições para o fazer”.

Durante o debate da RTP com os nove candidatos e candidatas à Câmara Municipal do Porto, João Teixeira Lopes alertou que a cidade “está a ser completamente engolida pelo alojamento local, muito particularmente no centro histórico” e que “o preço dos terrenos cresceu 147% e o preço das rendas aumentou imenso também”.

Destacando que este processo “tem de ser travado”, o candidato bloquista defendeu que “não podemos perder o turismo para a cidade mas também não podemos perder a cidade para o turismo”.

Teixeira Lopes deu o exemplo de inúmeras pessoas, entre os quais vários idosos, que estão a ser expulsas das suas casas e a ser empurradas para fora da cidade.

Neste contexto, João Teixeira Lopes frisou que “têm de ser criar quotas para o alojamento local” e que “é preciso regular” o setor. O candidato propôs ainda uma moratória para novos hotéis no Porto, contrariando a concentração abusiva na zona do centro da cidade.

“Não é possível resistir à pressão imobiliária que o turismo está a fazer”, alertou o candidato, esclarecendo que “não é uma questão de ser contra o turismo nem de diabolizar o turismo. É uma questão de impor regras para garantir que quem quer viver no Porto tem condições para o fazer”.

Bloco propõe projeto de habitação pública

João Teixeira Lopes pretende canalizar as verbas da taxa turística e de fundos que estão atualmente disponíveis para um projeto de habitação pública, com 1000 casas para habitação social e 1500 para uma bolsa de rendas acessíveis.

Sobre a promessa de Manuel Pizarro de 3 mil casas, Teixeira Lopes recordou que, durante o seu mandato, o candidato do PS não foi capaz de recuperar 1% das 3 mil que agora promete.

Segundo o candidato bloquista, Rui Moreira e Manuel Pizarro não têm qualquer credibilidade.

Manuel Pizarro tem sido um cata-vento

Questionado sobre se os votos em Manuel Pizarro não vão parar aos bolsos de Rui Moreira, João Teixeira Lopes afirmou que o candidato do PS “tem sido um cata-vento nestas questões”.

“Quem seguiu os diferentes debates viu como Manuel Pizarro mudou de posição em cada debate”, assinalou Teixeira Lopes, referindo que o candidato socialista admitiu, no debate da SIC, coligações com todos, no da TVI, afirmou que poderá coligar-se com Rui Moreira, que diz, por sua vez, que sente falta de Manuel Pizarro, e agora, “pressionado pela falta de credibilidade por ter estado associado durante quatro anos com o CDS, com os vereadores que apoiaram Rui Moreira e com o próprio Rui Moreira, volta a mudar de posição”.

“A nossa posição é muito clara, não nos coligaremos com a direita de Rui Moreira”, destacou Teixeira Lopes.

O secretismo do caso Selminho

João Teixeira Lopes afirmou que “a notícia que sai hoje sobre o caso Selminho resulta daquilo que foi a pressão pública quer de partidos como o Bloco de Esquerda quer da comunicação social”.

“Um dos aspetos que domina todo este processo é o secretismo. Não se sabia de nada. Soube-se porque a comunicação social cumpriu o seu papel de fiscalizador”, disse o candidato.

João Teixeira Lopes espera que, de facto, “os Tribunais reponham a propriedade da Câmara”, mas lembrou que o essencial mantém-se em apreciação, quer no que respeita ao secretismo do processo e como à questão da indemnização.

“Uma situação em que, no limite, teríamos o presidente Rui Moreira a pagar uma indemnização à família de Rui Moreira. Isto é inaceitável!”, salientou Teixeira Lopes.

Câmara do Porto tem usado e abusado dos ajustes diretos

O candidato bloquista citou o livro de Rui Moreira de 2012, em que o atual presidente da autarquia tece críticas aos ajustes diretos, falando em “traficância entre poder político e poder económico”.

João Teixeira Lopes recordou que “a Câmara tem usado e abusado dos ajustes diretos”, dando o exemplo do escritório de advogados que acompanha a família de Rui Moreira no caso Selminho, que teve ajustes diretos para trabalhar para a autarquia.

Segundo Teixeira Lopes, isto é uma “violação grave daquilo que deve ser o dever de transparência”.

O candidato garantiu que “se o Bloco tiver força na Câmara do Porto, desde logo os ajustes diretos acabam”, sendo que a regra é o concurso.

O Porto vai continuar a ser um lugar de liberdade

João Teixeira Lopes lembrou, que esta quarta-feira, a Comissão Nacional de Eleições (CNE) indeferiu a queixa de Rui Moreira contra os cartazes do Bloco de Esquerda”.

“Vai-se cumprir a palavra de Agustina Bessa-Luís, o Porto vai continuar a ser um lugar de Liberdade”, frisou o candidato, denunciando os “tiques autoritários de Rui Moreira”.

 

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