O anúncio da passagem dos professores com horário zero para o regime de mobilidade especial da administração pública está a deixar muitos professores em estado de choque ante a perspetiva de verem o salário reduzido a dois terços ao fim de dois meses, e novamente cortado para metade dez meses depois. Nas negociações com os sindicatos, esse cenário foi sempre afastado por Nuno Crato e pelos secretários de Estado. Mas esta quarta-feira, o secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar, Casanova de Almeida, lançou a proposta a seguir às primeiras reuniões com sindicatos de professores sobre os concursos de colocação do próximo ano letivo. E fê-lo acompanhado de uma outra proposta, que reduz os Quadros de Zona Pedagógica de 23 para 7, aumentando bastante a área geográfica a que milhares de professores são obrigados a concorrer.
Para Mário Nogueira, o Governo está «a tentar resolver os problemas que criou à custa da instabilidade dos professores». Com o redimensionamento proposto, os professores que concorriam a todas as escolas em distâncias até 40 quilómetros, passariam a ser obrigados a candidatar-se a escolas que distam mais de 200, diz a Fenprof. Para esta quinta-feira está marcada uma reunião do Secretariado da estrutura sindical para definir as posições a levar ao encontro com o Ministério no dia seguinte.
Por seu lado, um dirigente da Associação Nacional dos Professores Contratados acusou o ministro e o secretário de Estado “de terem usado uma mentira vergonhosa para descansar os professores, quando disseram que estes não seriam colocados em mobilidade especial”. Em declarações ao Público, César Israel Paulo afirmou que “tudo isto faz parte de uma estratégia para pôr os professores a andar, para os desgastar e fazer desistir e fugir da escola”.
“Tenho 35 anos de carreira e nunca vi nada que se parecesse – como é que se vive num país em que os governantes dizem hoje uma coisa e amanhã o seu contrário com a tranquilidade de quem acha isso legítimo?", pergunta Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, citado pelo mesmo diário. Uma posição comum à do dirigente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima, que se disse "apanhado de surpresa" e acusou o Ministério de querer “exterminar os professores, enquanto profissionais e como cidadãos”.