A aprovação sem exames escritos na cadeira de Introdução ao Pensamento Contemporâneo levou o Ministério da Educação a pedir ao Tribunal Administrativo a retirada da licenciatura a Miguel Relvas. "Enquanto país, só temos de ficar contentes com o facto deste assunto ser levado com toda a independência para a frente", afirmou o ministro da Educação à SIC-Notícias, comentando o seu despacho que pede a retirada da licenciatura ao ex-colega de Governo Miguel Relvas. O ministro demissionário esperou até ao dia do despacho de Crato para anunciar a saída do Governo, embora o teor da decisão já fosse conhecido.
Sobre a intervenção de Passos Coelho neste processo, Nuno Crato afirmou que manteve Passos Coelho informado dos traços gerais do processo e que "o primeiro-ministro tem-se comportado com uma grande dignidade" e explicou o atraso da decisão com a junção dos dois relatórios elaborados pela Inspeção Geral de Educação e Ciência após auditorias à Universidade Lusófona. "Só tive conhecimento do processo em março", revelou o ministro, recordando ter sido em vésperas de partir para o estrangeiro em viagem oficial. "Depois olhámos com atenção para o processo, convencemo-nos de que o processo está bem instruído, que o caso está bem fundamentado e que deve ir para o Ministério Público", acrescentou o ministro da Educação. "O secretário de Estado do Ensino Superior ficou absolutamente convencido que o despacho que devia dar era aquele, e eu despachei por cima", afirmou Crato, garantindo ser "uma coincidência" a decisão ter sido tomada entre a moção de censura do PS e a resposta do Tribunal Constitucional.
Segundo o semanário Expresso, não são as 32 equivalências reconhecidas a Relvas pela Lusófona que irão obrigar Relvas a devolver o diploma, mas sim uma das quatro cadeiras que efetivamente fez. O ex-ministro foi o único aluno aprovado na cadeira de Introdução ao Pensamento Contemporâneo sem nenhum exame escrito. A única avaliação de Relvas terá sido um exame oral feito pelo então reitor da Universidade, Fernando Santos Neves, que não era o professor responsável por essa cadeira.
O "exame" de Relvas não terá sido mais do que uma conversa entre o ex-reitor e Miguel Relvas. No centro da discussão estiveram seis artigos de jornal escritos pelo próprio Miguel Relvas. Como seria de esperar, esta Introdução ao Pensamento Contemporâneo foi uma barreira fácil de ultrapassar pelo aluno. O "exame" de Relvas não terá sido mais do que uma conversa entre o ex-reitor e Miguel Relvas. No centro da discussão estiveram seis artigos de jornal escritos pelo próprio Miguel Relvas. Como seria de esperar, esta Introdução ao Pensamento Contemporâneo foi uma barreira fácil de ultrapassar pelo aluno. Seis anos depois de ter recolhido o diploma da Lusófona, a Inspeção-Geral da Educação e Ciência propõe agora “que seja declarada a nulidade do ato de avaliação de Miguel Fernando Cassola de Miranda Relvas, na unidade curricular de Introdução ao Pensamento Contemporâneo, em época de exame, de 2006/2007, com todas as consequências legais daí decorrentes, designadamente a declaração de nulidade do grau académico de licenciado em Ciência Política e Relações Internacionais pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (ULHT)”.