As palavras de Angela Merkel numa reunião esta terça-feira com deputados liberais reforçaram a posição de inflexibilidade que a líder da direita alemã tem demonstrado acerca dos eurobonds. Estas obrigações de dívida europeia permitiriam proteger os países periféricos dos juros incomportáveis que enriquecem os especuladores nos mercados financeiros.
Mas a receita má para Europa, na opinião de Merkel, é boa para a Alemanha. Estes "deutsche bonds" são obrigações que os Estados alemães poderão emitir, aproveitando o apoio de Berlim para pagar juros mais baixos, ao contrário do que acontece hoje, em que o juro exigido pelas obrigações da dívida alemã é inferior ao da dívida dos vários "Länder".
A direita precisa de obter dois terços no Parlamento para aprovar na sexta-feira o Mecanismo Europeu de Estabilidade e o pacto fiscal e já dispõe de um acordo com os sociais-democratas do SPD. O partido de esquerda Die Linke entregou uma queixa sobre estes documentos no Tribunal Constitucional, que deverá pronunciar-se em julho. "O pacto fiscal é e continuará a ser mais um prego no caixão da ideia de Europa", diz o comunicado do Die Linke, para quem a proposta de Merkel não pretende a participação "dos que lucraram e criaram a crise dos mercados financeiros".
Merkel aprova na Alemanha o que recusa à Europa
27 de junho 2012 - 14:58
A chanceler alemã disse que "enquanto for viva" não permitirá a mutualização da dívida europeia. Mas aprovou a emissão de dívida pelos Estados regionais alemães com garantia do Estado central, embora este não possa vetar as despesas regionais.
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Merkel diz que não permite eurobonds enquanto for viva, mas se forem "deutsche bonds" já é diferente... Foto arne.list/Flickr