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Memórias: Patrice Lumumba

No dia 17 de janeiro de 1961, morreu Patrice Lumumba. Foi um dirigente político congolês, que defendia a unidade e a luta dos povos africanos contra o colonialismo e o imperialismo. Por António José André.
Foto de Nationaal Archief Fotocollectie Anefo, Wikimedia Commons.

Lumumba nasceu, a 2 de julho de 1925, em Onalua (região de Sankuru), quando o seu país estava sob o domínio colonial belga. Depois de receber uma educação familiar, frequentou uma escola de missionários católicos e uma escola protestante. 

Em 1943, após concluir os estudos básicos, Lumumba saiu da sua terra natal e começou um novo percurso de vida: foi empregado na companhia Symaf (Syndicat Minier Africain) e no serviço de correios.

Em 1958, depois de ter sido eleito presidente do Sindicato Independente dos Trabalhadores Congoleses, Lumumba fundou o MNC (Movimento Nacional Congolês), primeiro partido político africano/congolês.

Nesse ano, participou na I Conferência dos Povos Africanos, onde se encontrou com outros dirigentes africanos: Sekou Touré (Guiné Conakry), Julius Nyerere (Tanzânia), Tom Mboia (Quénia), e Kwame Nkruma (Gana).

Inspirado pelos ideais do pan-africanismo, Lumumba assumiu uma militância anticolonial, defendendo a unidade nacional entre as diferentes etnias do Congo e a libertação do domínio belga.

Lumumba centrou a sua ação política na unidade nacional. Essa postura valeu-lhe o ódio dos colonialistas que queriam derrubá-lo, instigando a rivalidade entre etnias, mediante suborno, promessas e intimidações.

Em 1959, Lumumba participou, em Bruxelas, na fase final das negociações para a independência do então Congo Belga, onde foram assinados os protocolos sobre a transição para um governo congolês.

No dia 30 de junho de 1960, quando foi proclamada a independência do Congo (depois Zaire e, atualmente, República Democrática do Congo), Patrice Lumumba tomou posse como Primeiro-Ministro.

Defendendo um país independente e unitário, Lumumba foi considerado demasiado próximo da União Soviética. A decisão de eliminá-lo foi atribuída à CIA e ao governo belga, contando com a colaboração do general Mobutu.

No dia 17 de janeiro de 1961, Lumumba foi morto sob tortura. Numa carta deixada à sua mulher, Pauline Opangu, dizia: “A minha fé é inquebrável. Sei e sinto no fundo de mim que, cedo ou tarde, o país libertar-se-á de todos os inimigos internos e externos e levantar-se-á para dizer não ao vergonhoso e degradante colonialismo”. O assassinato de Patrice Lumumba transformou-o num símbolo da luta anticolonialista africana.

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