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Médicos ameaçam fazer greve contra degradação do SNS

Os médicos irão promover uma paralisação de três dias caso o Governo não retome as negociações até ao final de março. Em causa está, nomeadamente, o reequipamento do SNS, a abertura de concursos para especialistas, a redução das horas extra nas urgências e a diminuição do número de utentes por médico de família.
Foto de Paulete Matos.

A decisão foi transmitida à comunicação social após uma reunião do Fórum Médico, que decorreu na sede da Ordem dos Médicos, por dirigentes do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) e pela Federação Nacional dos Médicos (FNAM).

De acordo com a FNAM, “das organizações presentes, FNAM, SIM , Bastonário, presidentes das três secções da Ordem, Associação de médicos de saúde pública e medicina geral e familiar e médicos internos foi exigido ao Ministério da Saúde resposta na próxima semana sobre o retomar de negociações interrompido desde Novembro de 20017 para resolver a candente situação dos concursos,  de habilitação e provimento nos cuidados primários de saúde e Hospitalar, condições de trabalho, formação pós graduada, descongelamento de salários e grelhas, reequipamento do SNS, celeridade na efectivação de concursos para os jovens médicos”.

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Caso o Ministério da Saúde continue “com a mesma atitude negocial” serão agendados três dias de greve no final de março.

"O ministro da Saúde [Adalberto Campos Fernandes] está a faltar a um compromisso que está a conduzir a uma degradação do Serviço Nacional de Saúde e dos cuidados primários e hospitalares", afirmou o secretário-geral do SIM, Jorge Roque da Cunha.

Segundo o dirigente sindical, a ausência de respostas aos problemas apresentados pelas organizações representativas dos médicos, leva-os a "mostrar o cartão vermelho" ao Ministério da Saúde.

"Vamos dar dois meses ao ministro da Saúde para resolver os problemas, e caso a situação não mude, os médicos vão fazer três dias de greve no final do primeiro trimestre" deste ano, avançou Roque da Cunha.

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As organizações representativas dos médicos reclamam, entre outras medidas, a abertura de concursos para especialistas, a redução das horas extra nas urgências de 18 para 12, a diminuição do número de utentes por médico de família de 1.900 para 1.550 e a diminuição das horas extraordinárias para 200 por ano.

No final do encontro, o bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Miguel Guimarães, garantiu que a OM "estará sempre do lado dos médicos na aplicação das formas de luta que entenderem".

"A greve é uma decisão plausível e aceitável", assinalou o bastonário, manifestando "bastante preocupação com os cuidados de saúde em Portugal".



"Há desigualdades no acesso à saúde, e a qualidade dos cuidados de saúde está a decair", referiu Miguel Guimarães.

No que respeita ao atraso na abertura de concursos para médicos especialistas, Miguel Guimarães considerou uma "vergonha nacional" e "inaceitável" que "cerca de 700 jovens especialistas formados estejam disponíveis e à espera" de colocação.

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