“As brutais e desumanas políticas de ajuste impostas pela odiosa troika (o Banco Central Europeu, o Fundo Monetário Internacional e a Comissão Europeia), com a ajuda dos governos cúmplices, estão a causar na Europa a maior crise da democracia das últimas décadas”, referem os ativistas espanhóis no manifesto aprovado, sublinhando que “milhares de pessoas estão a ser condenadas ao desemprego, à pobreza e, inclusive, à morte, por uma dívida ilegítima e impagável, que, na sua maior parte, é privada; de bancos, grandes empresas e entidades financeiras”.
“O resgate Europeu à banca, aprovado e garantido pelo Estado, privatiza uma vez mais os benefícios enquanto socializa as perdas e em troca exige cortes sangrentos”, frisa o movimento Marea Ciudadana, formado por diversos movimentos sociais, sindicatos e organizações políticas de Espanha.
"Seja através de memorandos impostos pela troika à Grécia, Irlanda, Portugal ou Chipre, seja através de um resgate financeiro, no caso do Estado Espanhol, está a produzir-se uma transferência de dinheiro público para as entidades financeiras à custa da perda de direitos básicos, do empobrecimento generalizado da população e do aumento da desigualdade social em toda a Europa”, acrescenta ainda.
No documento, é ainda apontado o dedo ao “desmantelamento dos serviços públicos como a Saúde ou a Educação que são entregues ao setor privado como 'oportunidade de negócio'” e é salientado que “ a dissolução das fronteiras entre o público e o privado alimenta uma corrupção impune que degrada a nossa sociedade e perverte a política no seu papel insubstituível de instrumento de ação cidadã”. “O objetivo das privatizações é o espólio, a concentração da riqueza e o aprofundamento das reformas neoliberais”, lê-se.
O movimento Marea Ciudadana apela à mobilização “todas as pessoas, com ou sem partido, com ou sem trabalho, com ou sem esperança”, a unir-se à manifestação internacional de 1 de junho, assumida como “o começo de um processo descentralizado, inclusivo e participativo”, e salienta a importância de “ampliar as nossas alianças, tanto a nível nacional como internacional, já que estamos conscientes de que só a soma das nossas vozes poderá deter as novas ondas de cortes que estão a ser preparadas”.