Marcha quer legalização da canábis de volta ao Parlamento

"Contra a crise, legalize", disseram as cerca de duas mil pessoas que este sábado marcharam em Lisboa pela legalização da canábis. A Marcha Global da Marijuana realiza-se em centenas de cidades por todo o mundo e os promotores portugueses querem que o debate regresse rapidamente ao parlamento.
Marcha Global da Marijuana foi do Largo do Rato ao Largo Camões, em Lisboa. Foto agência Lusa

A Marcha Global da Marijuana voltou a trazer o tema da legalização da canábis às ruas de Lisboa e Porto. Na capital, Érica Postiço, da MGM Lisboa, disse ao esquerda.net que "o atual contexto de crise económica torna ainda mais urgente a legalização e regulamentação do consumo da canábis".

Os defensores da legalização apontam os benefícios desta proposta para a economia. "Logo à partida, na receita fiscal, dado que hoje em dia, por ser mantido na ilegalidade, só os traficantes lucram com isso", acrescentou a ativista. "Mas não só: trata-se de uma economia geradora de emprego e que permite poupar muitos milhões de euros que hoje são desbaratados pelo Estado em polícia e tribunais, dispersando esforços a perseguir consumidores em vez de combater o crime e a fraude", concluiu.

Os organizadores querem levar o tema ao Parlamento, mas do lado dos partidos apenas o Bloco de Esquerda se comprometeu a avançar com uma proposta ainda este ano. Nesta marcha participaram representantes bloquistas e da Juventude Socialista.

Na sua intervenção, Catarina Martins reiterou o compromisso do Bloco com a legalização da canábis e disse aos manifestantes que uma proposta nesse sentido irá dar entrada na AR por parte do Bloco de Esquerda, ao mesmo tempo que se comprometeu a votar favoravelmente as iniciativas que vão no mesmo sentido. "Não podemos continuar a permitir esta hipocrisia", acrescentou a deputada bloquista, referindo-se à punição legal imposta no acesso à canábis, quando comparada a substâncias mais mortíferas como o álcool e o tabaco.

A Marcha Global da Marijuana realizou-se também no Porto, onde juntou 400 pessoas a favor do fim do modelo proibicionista que continua a ser aplicado à canábis, que é usada há milhares de anos e até é considerada uma das plantas mais estudadas do mundo, sem que os malefícios graves que os proibicionistas alegam tenham até hoje sido provados.

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