Está aqui

Manifestações pedem diálogo em várias cidades do Estado espanhol

De Barcelona a Madrid, milhares de pessoas vestidas de branco encheram praças para reclamar o diálogo entre o governo de Rajoy e as autoridades catalãs.
Manifestação deste sábado na Praça de Cibeles, em Madrid. Foto Hablamos?/Facebook

Milhares de pessoas responderam aos apelos lançados através das redes sociais e compareceram vestidas de branco nas ruas e praças de Barcelona, Madrid, Sevilha, Granada, Bilbau, Pamplona, Valladolid, entre outras cidades. Sob o lema “Espanha é melhor do que os seus governantes. Falamos?”, a mobilização pediu o fim do impasse acentuado pela repressão ao referendo e pela mensagem do rei espanhol.

Criticando o ódio e a divisão que tem sido incutida na sociedade espanhola nos últimos dias, os promotores defendem que “enquanto cidadania devemos negar-nos a que nos ponham num beco sem saída. Não em nosso nome.”

“A convivência cria-se falando e as leis servem para esse diálogo. Não podem usar-se como obstáculo nem, ainda menos, para desencadear um conflito civil”, prossegue o manifesto, concluindo que “em vez de erguer muros, precisamos de uma tela em branco para construir em comum um país onde caibamos todos e todas”.  

O “beco sem saída” político em que a Catalunha se encontra, a manter-se a recusa de diálogo e mediação por parte do governo de Rajoy, poderá ter como consequência mais provável a Declaração Unilateral de Independência por parte da maioria do parlamento catalão, e a aplicação dos artigos da Constituição espanhola que permitem a Madrid assumir o controlo das instituições catalãs, ou mesmo decretar o estado de sítio na Catalunha. Entre as vozes de apoio às manifestações deste sábado, convocadas como apartidárias e sem simbologia dos partidos, estão os principais dirigentes do Podemos e das suas confluências, bem como os socialistas catalães, que apelaram à não participação no referendo e cujo líder, Miguel Iceta, anunciou que ia estar presente na concentração em Barcelona.

Em Madrid, a manifestação pela paz e o diálogo realizou-se à mesma hora de uma outra, contra a independência. A polícia foi chamada quando alguns participantes  da manifestação “pela unidade de Espanha”, associados à extrema-direita, se dirigiram para junto da manifestação vestida de branco, insultando os participantes com gritos de “traidores!”.  

Direita espanhola vai a Barcelona este domingo, UE preocupada

Para o domingo está marcada uma manifestação em Barcelona contra a independência da Catalunha e de apoio à ação da polícia nacional contra o referendo, que deverá juntar muitos milhares de pessoas vindas de toda a Espanha.

Com presenças confirmadas de altos dirigentes do PP madrileno, como Cristina Cifuentes, ou da delegada do governo em Madrid, Concepción Dancausa, a convocatória tem mobilizado também os setores de extrema-direita e franquistas, que anunciam viagens de autocarro para travar a independência catalã. O partido Ciudadanos também apela à participação nesta manifestação, que também contará com a preença de destacados socialistas catalães, como o ex-presidnete do Parlamento Europeu, Josep Borell.

Apesar das declarações de apoio público ao governo espanhol, os líderes europeus já não escondem a preocupação com possível desenlace da falta de diálogo entre Rajoy e o líder do governo catalão, Carles Puigdemont.

Este sábado, Bruxelas fez saber que Angela Merkel e Jean-Claude Juncker estiveram ao telefone a discutir a mais grave crise política espanhola das últimas décadas. Mais do que o respeito pelos direitos democráticos do povo catalão, é o impacto da crise na economia espanhola e os efeitos sobre os restantes países que está a preocupar Bruxelas, o que pode levar o assunto a ser incluído na agenda da reunião desta segunda-feira dos ministros das Finanças da zona euro.

Bancos e grandes empresas alteram sede social

Esta semana, várias grandes instituições com sede na Catalunha anunciaram a mudança da sede social para Valência, Madrid e outras cidades espanholas. A mudança de sede não traz nenhuma diferença para trabalhadores ou clientes do banco Sabadell, Caixa, ou dos consumidores da Gas Natural, para dar três exemplos. Os conselhos de administração explicaram que o fazem por razões de “segurança jurídica”, ante a possibilidade de declaração da independência da Catalunha nos próximos dias.

Como seria de esperar, estas alterações foram aproveitadas pela máquina de propaganda do governo espanhol para denunciar uma suposta fuga em massa das empresas, que seria prova do colapso económico iminente em caso de independência.  Para aumentar essa “fuga”, Rajoy aprovou mecanismos que facilitam a transferência das sedes sociais. Quem não parece convencido é o líder da Câmara de Comércio e Indústria Francesa em Barcelona. Phillipe Saman afirmou à Franceinfo que “não há motivos para mudar a sede social” por parte das empresas francesas ali sedeadas.

“Não é imaginável nem por um segundo que a Catalunha fique fora da União Europeia”, diz o líder dos empresários franceses na Catalunha, apelando à “serenidade e sobretudo ao diálogo” entre os responsáveis políticos.

Após o anúncio da decisão, as ações do Banco Sabadell subiram, mas os depósitos baixaram. É que em sinal de represália, alguns municípios catalães governados pelos partidos que apoiaram o referendo e a independência resolveram fechar de imediato as suas contas no banco. Até ao início da tarde de sexta-feira, segundo o portal catalão Vilaweb, o montante anunciado pelos municípios já ultrapassava os 3.3 milhões de euros a transferir para outros bancos.

Artigos relacionados: 

Comentários

A resolução da situação de Olivença é uma questão pertinente. É uma região portuguesa ocupada por Espanha. Em 1640 Portugal recuperou a independência porque Espanha estava ocupada com a Catalunha. Agora é o momento certo para fazer cumprir os acordos internacionais. Parece que na Assembleia da República ninguém se lembrou disto. No mínimo, que se faça um referendo.

A "mãe-pátria" dos algarvios (ou minhotos ou alentejanos...) é a mesma de todos os restantes portugueses, nenhum algarvio diz que não se sente português, etc., daí essa disposição do código penal português.
Em Espanha, que é um albergue de várias nacionalidades, com línguas e história diferentes, a situação é completamente distinta. Não queira confundir, comparando o incomparável.
De qualquer modo, acho curiosa essa insistência com o Algarve, por parte de muitos adeptos das teses espanholas. Será por acaso que o Rei de Espanha ainda ostenta nos seus títulos o de "Rei do Algarve"?

Adicionar novo comentário