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Malta: jornalista que investigava Panama Papers assassinada

Daphne Caruana Galizia, jornalista que liderava a investigação dos Panama Papers em Malta, morreu esta segunda-feira, quando o carro em que circulava explodiu.
Também em Londres, em frente à Embaixada de Malta, esta segunda-feira à noite, juntaram-se dezenas de pessoas em vígilia por Daphne Caruana Galizia.
Também em Londres, em frente à Embaixada de Malta, esta segunda-feira à noite, juntaram-se dezenas de pessoas em vígilia por Daphne Caruana Galizia.

Segundo o jornal britânico The Guardian, terá sido colocado um explosivo no interior do veículo, um Peugeot 108. A explosão ocorreu perto da residência da jornalista, na aldeia de Bidnija, no norte do país, cerca das 15h locais (14h em Lisboa).

Já durante a noite desta segunda-feira, milhares de pessoas concentraram-se em Silema, numa vigília emocionada, em solidariedade com a família da vítima deste brutal assassínio e também com cartazes onde se pode ler que “não serão silenciados”, conforme relata o Times of Malta.

Daphne Caruana Galizia tinha um blogue onde denunciava, com frequência, casos de corrupção envolvendo líderes políticos. Uma das suas mais recentes investigações visava o Primeiro-Mnistro de Malta, Joseph Muscat, e dois dos seus assessores mais próximos, que também acusou de corrupção. A jornalista de 53 anos denunciara às autoridades, há quinze dias, estar a ser vítima de ameaças de morte.

Desde 2015 que Daphne Caruana Galizia fazia parte do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação responsável pela investigação sobre os Panama Papers. No início deste ano, a jornalista revelara a existência de documentos que provavam que a mulher do Primeiro-Ministro maltês era beneficiária de um offshore no Panamá e que houve transações elevadas de dinheiro, envolvendo contas bancárias no Azerbaijão.

Em conferência de imprensa, na tarde desta segunda-feira, o Primeiro-Ministro maltês reagiu ao sucedido. “Toda a gente sabe que Caruana Galizia foi uma forte crítica da minha pessoa e do meu governo, mas nada justifica um ato bárbaro destes”, disse Joseph Muscat, acrescentando ter já solicitado à polícia que entre em contacto com as forças de segurança de outros países, como o FBI, para ajudar a identificar os responsáveis pelo crime.

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