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Maçães tenta convencer o WSJ que o emprego aumentou com este governo

O secretário de Estado Bruno Maçães criticou no twitter a autora da notícia do Wall Street Journal sobre o desemprego e a emigração em Portugal. Mesmo depois de desmentido pelos jornalistas, Maçães insistiu em convencê-los da narrativa de Passos Coelho de que há mais emprego hoje em Portugal do que antes da chegada da troika.
Bruno Maçães passou os últimos dias a tentar convencer o Wall Street Journal que há mais emprego em Portugal do que antes da crise...

Bruno Maçães quer estender a narrativa do governo sobre a evolução do emprego à imprensa internacional e não poupou esforços nos últimos dias para atacar uma notícia do Wall Street Journal. O artigo publicado na sexta-feira sobre os efeitos da austeridade em Portugal falava do desemprego e da emigração sem paralelo nas últimas décadas e Maçães não gostou, e logo no sábado repetiu os números de Passos Coelho sobre criação de emprego, que simplesmente anulam a primeira parte do mandato do governo.

O secretário de Estado português pediu à autora da peça que deixasse claro na notícia que a taxa de desemprego em Portugal é hoje mais baixa do que antes do memorando da troika. Patricia Kowsmann recusou-se a fazê-lo, por não ser verdade e porque o artigo falava da crise, que não começou em maio de 2011.

Bruno Maçães voltou à carga esta segunda-feira no Twitter, altura em que o debate passou a envolver também o chefe de redação do Wall Street Journal em Bruxelas, Stephen Fidler, que garantiu a Maçães que o governante português era a primeira pessoa a quem ouvia defender que a crise começou em 2011.

Gabriele Steinhauser, jornalista do WSJ em Bruxelas, também ficou estupefacta com o argumento de Maçães: “Isso é como comparar o momento em que se sai do hospital com aquele em que deu entrada nas urgências. É claro que o ponto de referência deve ser o anterior a ficar doente”.

Estes argumentos não convenceram Maçães, que insistiu em como há menos desemprego em maio de 2015 do que em maio de 2011. Stephen Fidler ainda rebateu com os dados do Eurostat que dizem o contrário, mas isso não deteve Bruno Maçães, que acabou por conseguir uma nota de rodapé a clarificar qual o ano que serviu de ponto de referência dos números do desemprego citados.

“Você está mesmo a dizer que Portugal está melhor agora do que em 2011 em termos de emprego? Emigração?”, perguntou Patricia Kowsmann ao secretário de Estado. “Um país da zona euro passa por um resgate e tem menos desemprego. Para vocês isto não é notícia?”, respondeu Maçães, já depois de ter sido confrontado com os números do Eurostat.

Kowsmann voltou a mostrar-lhe dados sobre o número de desempregados e empregados nos primeiros trimestres de 2011 e 2015, apenas para ouvir Maçães mais uma vez a pedir uma correção no sentido de adaptar a notícia à narrativa do governo.

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Comentários

Um copo estava cheio. Esvaziou-se. Entram umas gotas e é dessas gotas que fala o Secretário de Estado, classificando-as de vitória. É claro que é uma vitória para quem determina o começo dos tempos como um copo vazio, porque lhe dá jeito.
É tudo uma questão, não de perspectiva, mas de objectivo. É o mesmo com todas as medidas mensuráveis, manipuladas por oportunistas políticos num ou noutro sentido.
Em ambos os sentidos, verdade seja dita, há disto para os dois lados, direita e esquerda.
Em abstrações matemáticas, a análise de funções chama-lhe tratamento de mínimos locais, pontos extremos, críticos, de inflexão, consoante a evolução das derivadas de vária ordem.
Infelizmente, na vida das pessoas, é sempre possível ficar pior.
Já agora sff deixemos de usar a palavra "narrativa" repetidamente. Já basta essa palavra tão bonita sido também ela corrompida por um bandalho.

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