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José Soeiro: Estado português deve “condenar repressão massiva” na Catalunha

Durante uma manifestação no Porto de solidariedade com o povo catalão, o deputado bloquista afirmou que “há uma coisa que é fundamental, que é o direito dos povos decidirem dos seus destinos e das pessoas exercerem democracia e liberdade, sem serem vítimas de repressão”.
Manifestação no Porto de solidariedade com o povo catalão, e de defesa dos princípios da democracia e da República. Foto de Henrique Borges.

A manifestação de solidariedade com o povo catalão, e de defesa dos princípios da democracia e da República, que teve lugar esta quinta-feira no Porto, reuniu mais de 200 pessoas.

Em declarações à agência Lusa, José Soeiro afirmou ser “chocante o que o Governo e o Rei espanhol têm feito relativamente à Catalunha”, e frisou que, independentemente das posições, “há uma coisa que é fundamental, que é o direito dos povos decidirem dos seus destinos e das pessoas exercerem democracia e liberdade, sem serem vítimas de repressão”.

“Rajoy tem sido irresponsável, incendiário e covarde. Irresponsável porque está a tornar este problema cada vez mais grave, dando passos que tornam mais difícil o diálogo e mais irreversível o processo que está em curso. Incendiário porque as decisões que tem tomado só têm contribuído para o extremar de posições e para que toda a situação se polarize. E covarde porque não dá a cara politicamente pelo que está a acontecer, mas está a utilizar o aparelho repressivo do Estado para impedir que um povo se pronuncie. Isso não traz nenhuma hipótese de solução”, salientou o deputado bloquista.

Perante o chumbo, na sessão plenária desta quarta-feira, do voto de condenação do Bloco “pela violência e repressão policiais na Catalunha”, que contou com a abstenção de parte da bancada socialista e os votos contra de PSD e CDS, e de 4 deputados do Partido Socialista (PS), José Soeiro pediu ao PS que tome uma posição definitiva.

O Estado português não tem que ter uma opinião sobre se a Catalunha deve ser independente. Deve é condenar uma operação de repressão massiva contra um povo que se quer pronunciar.

“O Estado português não tem que ter uma opinião sobre se a Catalunha deve ser independente. Deve é condenar uma operação de repressão massiva contra um povo que se quer pronunciar. Portugal teve uma posição contundente e solidária quando Timor-Leste teve um referendo, e o povo português saiu às ruas, não só para defender o direito de fazerem o referendo, como também o respeito que era preciso ter pelo resultado desse referendo”, lembrou o dirigente do Bloco.

José Soeiro destacou ainda a necessidade de existir uma posição firme e “bom senso” por parte das instituições dos países europeus, naquele que é “um processo como nunca” houve na Europa, em que “um Estado está a mandar o exército ocupar uma parte do país”.

“O bom senso é dizer ao Estado espanhol que isto não pode acontecer, este não é o caminho. O único caminho possível é o diálogo político. Entender que se resolve uma questão política ordenando que os tribunais prendam as pessoas que se querem pronunciar, enviando a polícia e o exército e tomando de assalto as instituições catalãs, esse não é o caminho. É suficientemente grave para merecer mais que uma preocupação e uma posição concreta do Estado português”, reforçou.

Sublinhando que “o problema não vai ficar encerrado até se encontrar uma decisão política”, o deputado adiantou que “certamente que essa decisão política não será contra a maioria de um povo”.

“Este processo repressivo pode aguentar algumas semanas ou alguns meses, mas há uma marca que é ainda mais forte e que atinge todo o povo catalão, independentemente da posição que tenha”, rematou.

Manifestantes pedem demissão de Mariano Rajoy

As cerca de 200 pessoas que participaram na manifestação de solidariedade com o povo catalão pediram a demissão do presidente espanhol, Mariano Rajoy, que consideram “culpado” pela escalada de tensão no país.

Andreia Peniche, uma das organizadoras do evento, afirmou, em declarações à Lusa, que quis demonstrar “solidariedade com o povo catalão e repúdio por tudo o que Estado espanhol tem feito”, e que a data – o dia da implantação da República em Portugal – foi escolhida pelo seu simbolismo.

“Tanto Rajoy, como o rei de Espanha, foram incendiários neste processo. Travaram qualquer ponte de diálogo possível. Portanto, aquilo a que assistimos hoje na Catalunha, não sabemos como vai acabar. Mas uma coisa é certa, desde o domingo passado nada ficou igual em Espanha e também na Europa”, apontou.

A ação contou com a presença de cidadãos e cidadãs oriundos de várias regiões do Estado Espanhol, que apelaram ao respeito pelos direitos dos catalães e condenaram a opressão e violência a que estes têm vindo a ser sujeitos.

Manifestação no Porto de solidariedade com o povo catalão. Foto de Henrique Borges.

 

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