José Luís Peixoto escreve sobre a Coreia do Norte, "país quase próximo da ficção"

15 de outubro 2012 - 13:28

O escritor José Luís Peixoto considera que a Coreia do Norte, sobre a qual está a escrever um livro, é um “país quase próximo da ficção”. Dentro do Segredo, Uma viagem na Coreia do Norte chega às livrarias portuguesas a 16 de novembro.

PARTILHAR
Desde o interior da ditadura mais repressiva do mundo, desde um país coberto por absoluto isolamento, "Dentro do Segredo, Uma viagem na Coreia do Norte", por José Luís Peixoto, chega às livrarias em Novembro. Foto joseluispeixoto.blogs.sapo.pt/

Numa visita a Macau, onde esteve numa conversa com leitores, o autor de Cemitério de Pianos, Livro, Abraço ou Morreste-me falou sobre a sua estreia na literatura de viagens com um livro sobre a fechada Coreia do Norte, cujas últimas páginas ainda estão por escrever.



"A Coreia do Norte é incomparável com qualquer outro país e acho que isso foi também aquilo que mais me atraiu. À partida sempre tive muita curiosidade acerca da Coreia do Norte e sempre procurei informar-me, sendo que em muitos aspetos essa curiosidade me parece que deriva do facto de ser um país quase próximo da ficção e se calhar, muitas vezes, até é um país mesmo de ficção, porque a fronteira daquilo que nós sabemos e especulamos é um pouco dúbia", assinalou José Luís Peixoto, citado pela Lusa.



O escritor, que foi um espetador privilegiado das comemorações do centenário do nascimento de Kim Il-sung, na capital Pyongyang, iniciou a 13 de abril a aventura pela Coreia do Norte, onde permaneceu durante cerca de duas semanas.



Apesar de durante a estadia ter comprovado ideias preconcebidas, noutros casos acabou por ser surpreendido: "Por exemplo, esperava que fosse mais difícil o contacto com a população", apontou, considerando, por outro lado, que também terá beneficiado do facto de a sua viagem ter coincidido com as grandes celebrações daquela que é a data mais importante do calendário norte-coreano.



"Houve mais possibilidade de contactar com as pessoas, de estar com elas, de beber […], de dançar, por exemplo, sendo que isso aconteceu na capital e na Coreia do Norte existe uma diferença enorme entre a capital e outras cidades", sustentou.

"Houve outras cidades em que não recebiam estrangeiros desde a Guerra da Coreia [1950-53] e em que a reação das pessoas era completamente diferente, fugiam muitas vezes e ficavam muito impressionadas", contou o escritor.





Dentro do Segredo, Uma viagem na Coreia do Norte chega às livrarias portuguesas a 16 de novembro e será editado pela Quetzal.



Texto sobre Macau será ilustrado por André Carrilho



José Luís Peixoto está também a preparar um texto para a revista Volta ao Mundo centrado em Macau, onde regressou agora depois de ter participado no 1.º Festival Literário de Macau - Rota das Letras - no início do ano.



O texto vai ter "uma colaboração um pouco diferente do habitual porque, em vez de ser acompanhado por fotografias - como costuma ser sempre -, vai ser acompanhado pelas ilustrações do André Carrilho, uma pessoa que conheci justamente aqui no Festival [Literário] em Macau e mais propriamente até aqui na Livraria Portuguesa onde tinha na altura uma exposição", disse o escritor, à margem da conversa com leitores.



"Acho importante até para os portugueses que estão cá saberem que lá há quem pense em Macau. Macau naturalmente até tem uma situação bastante diferente, até histórica e sob vários pontos de vista, em relação à diversa diáspora, mas sinto que é muito importante que os portugueses em Portugal se lembrem dos que estão fora e que continuam a ser portugueses", realçou José Luís Peixoto.