Está aqui

João Teixeira Lopes quer uma “cidade aberta” a enfrentar especuladores

O candidato do Bloco apresentou a “candidatura socialista, popular e republicana” para “derrotar a ideia de que o Porto é meramente uma imagem para ser vendida no altar dos especuladores imobiliários”.
Apresentação da candidatura do Bloco às autárquicas no Porto. Foto Fernando Veludo/Lusa

Chamando ao palco do Hard Club, no Mercado Ferreira Borges, os membros das listas à Câmara e Assembleia Municipal do Porto, Teixeira Lopes apresentou este domingo a candidatura do Bloco como “um coletivo que detesta o pensamento único” e o “discurso tosco do patriotismo de cidade”.

“Quem fica de fora da cidade espetáculo? Quem é segregado e humilhado? Quem tem de deixar as suas casas?”. Estas são as “perguntas difíceis” que a campanha do Bloco fará no Porto, prometeu o candidato.

“Estamos com os mais pobres, a quem oferecem apenas caridade, piedade, burocracia, ou mesmo punição”, prosseguiu Teixeira Lopes, lembrando os 10% da população que recebe o RSI, os 35% de pensionistas e os mais de 1600 sem-abrigo da cidade.

“Nada temos contra o turismo, queremos que o Porto seja uma cidade aberta”, mas “não deixaremos que a governação da cidade arrase com milhares de cidadãos e cidadãs e que os transforme numa massa insolvente que perde o direito de aqui morar”, defendeu o candidato.

A prioridade à habitação e à reabilitação dos edifícios municipais devolutos para serem colocados em programas de arrendamento a custo controlado, com as obras a serem financiadas por uma taxa turística é uma das propostas apresentadas pela candidatura do Bloco. “Rui Moreira rejeitou durante quatro anos a taxa turística”, lembrou Teixeira Lopes.

“Os 3% de orçamento para ação social [excluindo os custos com habitação] é a marca da cidade a duas velocidades da dupla Moreira/Pizarro”, acusou o candidato do Bloco, defendendo o reforço de verbas para financiar, por exemplo, mais jardins de infância e creches na cidade, uma nova estratégia municipal para as pessoas sem-abrigo

O combate à precariedade no município é outra das bandeiras da candidatura e João Teixeira Lopes lembrou como a maioria liderada por Rui Moreira e Manuel Pizarro chumbou a proposta bloquista para integrar os precários ao serviço da autarquia. “Somos uma candidatura sem rodeios, insubmissa e que toma opções claras”, concluiu Teixeira Lopes.

O polémico processo Selminho também foi abordado no discurso de Teixeira Lopes, para notar o silêncio do vereador e candidato socialista Manuel Pizarro, que ajudou Moreira a chumbar a declaração de nulidade do acordo entre a Câmara e a empresa, à semelhança do que fez com outras propostas do Bloco, como a da suspensão dos aumentos das rendas sociais.

Catarina Martins: “Não seremos figurantes de uma cidade vitrina”

A coordenadora do Bloco de Esquerda afirmou que o diagnóstico para as respostas à cidade do Porto está feito e que basta ter vivido na cidade para “ver a degradação da malha urbana, das casas. Sabemos de quem vive em habitações degradadas, sabemos de quem vive em bairros e se sente excluído da vida do concelho”, disse Catarina Martins, após os discursos do candidato do Bloco à câmara do Porto João Teixeira Lopes.

Para Catarina Martins, todos os portuenses sabem que “há uma cidade que tem vida, que tem voz e que não deve ser transformada numa disneylandia de fachadas sem gente, sem ligação com a memória daquilo que nós somos”. E acrescentou que o programa do Bloco de Esquerda, com a sua proposta, é capaz de alterar a transformação da cidade numa vitrina para negócios imobiliários. “Nós não queremos ver o Porto numa vitrina”, afirmou Catarina Martins.

Catarina Martins elencou três eixos fundamentais da candidatura do Bloco de Esquerda para o Porto: combate à degradação da habitação e à exclusão, melhores transportes e combate à precariedade. “A politica serve para melhorar a vida coletiva e não para satisfazer negócios privados”, acrescentou Catarina, sublinhando que “o João Teixeira Lopes e o João Semedo estão aqui pelas pessoas, por uma cidade mais justa, mais igual“.

Termos relacionados Autárquicas 2017, Política

Adicionar novo comentário