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Jacob Zuma demite-se da presidência da África do Sul

Numa comunicação ao país, Zuma antecipou-se à moção de censura que o ANC ia apresentar esta quinta-feira. Cyril Ramaphosa, o líder do ANC, é o atual presidente em exercício.
Foto GovernmentZA/Flickr

Jacob Zuma anunciou a sua demissão e já não é o presidente da África do Sul. Numa comunicação ao país, Zuma afirmou o seu desacordo com a decisão do ANC em afastá-lo da presidência, através de uma moção de censura. “Fui sempre um membro disciplinado do ANC”, afirmou Zuma, uma das figuras da luta contra o apartheid que chegou a estar preso com Nelson Mandela na cadeia de Robben Island.

Ao longo de várias semanas de especulações, que envolveram negociações da liderança do ANC com Jacob Zuma para que este abandonasse a presidência pelo seu próprio pé a um ano das próximas eleições presidenciais, o presidente sul-africano sempre recusou essa perspetiva.

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Os escândalos de corrupção que envolveram os nove anos de presidência afastaram muitos dos eleitores do ANC, que perdeu a maioria em algumas das principais cidades nas eleições locais de 2016. Mas Zuma sempre negou todas as acusações e questionava-se sobre a razão das pressões do ANC para a sua demissão, quando o partido nada disse sobre as suspeitas levantadas ao longo dos anos.

O novo presidente em exercício, e provável candidato às próximas presidenciais, é Cyril Ramaphosa, que venceu as eleições do ANC por escassa margem em dezembro passado contra a candidata apoiada por Zuma - e sua ex-mulher -, Nkosazana Dlamini-Zuma. A tensão entre o partido e o presidente teve aí o seu início, como o próprio Zuma fez questão de dizer no discurso de demissão, questionando a razão do seu partido, que sempre o apoiou, ter passado a defender a sua saída o quanto antes da presidência.

 

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