Israel raptou o encenador Nabil Al-Raee e esconde a sua situação

As autoridades de Israel continuam a não dar notícias do cidadão palestiniano Nabil Al-Raee, diretor artístico do Freedom Theatre de Jenin, na Cisjordânia, raptado na madrugada de 6 de Junho por soldados israelitas com os rostos tapados.
Israel raptou o encenador Nabil Al-Raee e esconde a sua situação

Nabil Al-Raee foi levado de sua casa com espingardas apontadas à cabeça e na presença da família, a filha, uma criança de dois anos, e a mulher, a atriz portuguesa Micaela Miranda. A única informação dada pelas autoridades israelitas, em 11 de Junho, dá conta de que o director artístico está detido numa prisão no norte de Israel, incontactável e sem ter sequer acesso ao seu advogado.

Israel recorreu mais uma vez neste caso ao chamado regime de "detenção administrativa", prisão sem os mais elementares direitos e que se caracteriza pelo isolamento do detido, proibição de quaisquer contactos, mesmo com os advogados, ausência de acusação e de culpa formada, indefinição do período de privação da liberdade. Este regime esteve na origem da recente greve da fome de dois mil presos palestinianos, na qual o futebolista internacional Mohammed Serzak se mantém ao 85º dia, em risco de vida sem que as autoridades israelitas autorizem a transferência para um hospital.

A família, os amigos e os trabalhadores do teatro estão inquietos com a ausência absoluta de notícias do detido, recusando-se a Israel a prestar informações sobre as condições em que Nabil Al-Raee se encontra, as razões da detenção e o seu estado de saúde física e mental.

O Freedom Theatre é um centro cultural e uma escola de teatro no Campo de Refugiados de Jenin, na Cisjordânia ocupada e sob jurisdição parcial da Autoridade Palestiniana, absolutamente insuficiente perante os comportamentos violentos dos militares e dos colonos israelitas da vizinhança. Estes vivem em comunidades que não cessam de crescer – violando também as normas internacionais. O teatro foi fundado em 2006 e é frequentado sobretudo por jovens e crianças.

O centro cultural nasceu da iniciativa de Juliano Mer-Khamis, um judeu palestiniano que, juntamente com os seus colaboradores, entre eles Nabil Al-Raee, pretendia mobilizar uma população de dezenas de milhar de pessoas, entre elas uma maioria de jovens e crianças, através do teatro e da cultura para minimizar o sofrimento que é estar cercada por um muro de betão com três metros de altura, sujeito a incursões permanentes israelitas e de grupos de colonos armados. "Queremos dar a esperança de que há vida para lá deste cimento", dizem os responsáveis do teatro, que já fez digressões pela Europa e tem previstas, em Agosto, atuações em Guimarães, Cidade Europeia da Cultura.

Há pouco mais de um ano, Juliano Mer-Khamis foi assassinado a tiro e até ao momento nem a investigação israelita nem a palestiniana deram resultados.

Desde então o Freedom Theatre tornou-se um dos alvos favoritos das tropas israelitas, que desenvolvem uma rotina de rusgas nocturnas, intimidação, ameaça, detenções como a de Nabil Al-Raee. Por omissão permitem que os grupos de assaltos de colonos israelitas espalhem livremente o terror.

Na véspera da detenção de Nabil, este e a mulher foram vítimas de um ataque com uma bomba de atordoamento quando saiam de um supermercado.

A família, colegas, a equipa do teatro – com cerca de 20 membros – e organizações de direitos humanos e de solidariedade lançaram campanhas internacional de solidariedade com o diretor artístico do Freedom Theatre exigindo de Israel a sua libertação. 

Artigo originalmente publicado no site do grupo parlamentar europeu do Bloco de Esquerda.

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