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Incêndios: 2018 será decisivo para começar a evitar tragédias

A associação ambientalista Zero deixa o alerta: o próximo ano será decisivo para conseguir evitar o pior que este ano afetou o país: os incêndios. Os danos foram ambientais, com a destruição de florestas e solos, mas a tragédia provocou ainda mais de cem mortes.
Fotografia disponibilizada pela NASA, publicada no site da ZERO, mostra incêndios ativos em Portugal, no dia 11 de agosto de 2017.
Fotografia disponibilizada pela NASA, publicada no site da ZERO, mostra incêndios ativos em Portugal, no dia 11 de agosto de 2017.

Em comunicado, a Zero defende que já em 2018, "deverão ser dados passos concretos que permitam salvaguardar os solos e fomentar uma floresta resiliente e multifunções, ainda que se reconheça que se trata de objetivos de execução plurianual". Além disso, "envolver e capacitar as populações nas medidas de proteção contra incêndios e apoiá-las no fomento da floresta autóctone, são duas dimensões fundamentais a trabalhar", defende também a associação ambientalista.

No balanço de 2017, citado pela Lusa, a associação refere que na semana antes do pior dia de incêndios do ano, o 15 de outubro, bateram-se recordes de poluição: "10 de outubro foi o dia com o ar mais poluído", observa, apontando o dia seguinte aos incêndios, 16 de outubro, como o segundo dia com pior qualidade do ar.

O dia 15 de outubro foi também a data na qual se registou a maior área ardida, chegando a 190.090 hectares, quase metade do total registado até aí, este ano. Os danos foram ambientais, com a destruição de florestas e solos, mas a tragédia provocou ainda mais de cem mortes.

"O número de ignições [no ano de 2017] é que parece não abrandar, já que se registaram 16.613 ocorrências e 22 por cento originaram incêndios com área superior a um hectare", refere a Zero. Com esta quantidade de ocorrências, "a solução está na erradicação de comportamentos de risco (negligentes e criminosos), recorrendo a uma vigilância omnipresente junto às áreas críticas", defende a associação.

4 R’s: repensar, reduzir, reutilizar e reciclar

No site da Zero, a associação assinala as datas ambientais mais marcantes de 2017 e define os desejos para o ano novo que se aproxima - ler mais aqui.

Por exemplo, o pico da seca, outro dos grandes problemas que não vai acabar este ano, foi atingido a 31 de outubro, com "100 por cento do território de Portugal continental em condição de seca", 75,2 por cento em seca extrema e 24,8 por cento em seca severa. "O envolvimento de todos é também necessário no caso da água", defende a Zero, que quer ver aplicado com eficácia o plano para uso eficiente da água, convencendo todos da sua importância e combatendo o desperdício.

Por contraponto ao mais negativo, a Zero indica 29 de julho como o dia de melhor qualidade de ar e 14 de março como o dia de maior produção renovável de eletricidade", gerando-se 128.6 gigawatts horários. "Apesar de não se terem conseguido os recordes atingidos em 2016, a produção de eletricidade renovável teve um peso significativo, mas não está a aumentar o suficiente", salienta a associação.

No ano que vem deverá surgir também "uma visão sobre como poderá Portugal atingir a neutralidade carbónica em 2050", um "desafio enorme" rumo ao fim da dependência dos combustíveis fósseis e utilização de energias renováveis.

"Repensar, reduzir, reutilizar e reciclar deverão tornar-se hábitos regulares", defende a Zero nos seus votos para o próximo ano.

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