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Incêndio mais mortífero em Portugal ainda não está controlado

62 vítimas mortais, 62 feridos, 5 aldeias evacuadas, IC8 cortado e quatro frentes permanecem ativas no incêndio que começou este sábado em Pedrógão Grande. PJ afasta origem criminosa. Governo decreta 3 dias de luto nacional. Está aberta uma linha de emergência para alojamento (144). (notícia atualizada às 23h00)
Foto Paulo Cunha/Lusa

O balanço de vítimas, feito às 13h de domingo por Jorge Gomes aos jornalistas, apontava para 62 mortos e 54 feridos. Às 16h, o primeiro-ministro corrigia o número confirmado para 61, dado ter sido encontrada uma repetição nos registos. "Mas não vale a pena alegrarmo-nos com isso porque iremos, certamente, encontrar mais vitimas no terreno", acrescentou António Costa.

Pelas 19h, o número de feridos aumentou para 62 e, pelas 23h, também o número de vítimas mortais aumentou para 62. 

O primeiro-ministro anunciou também que os estabelecimentos de ensino nos três concelhos afetados “ficam encerrados por tempo indeterminado”, e os alunos com exame marcado para esta semana terão as provas adiadas.

5 aldeias foram evacuadas e mantêm-se 4 frentes ativas deste incêndio apenas. No país, estão ou estiveram ativos 171 incêndios durante este domingo, com 2.550 operacionais, 820 viaturas e 26 meios aéreos mobilizados.  

O incêndio florestal que deflagrou no concelho de Pedrógão Grande, alastrando em seguida para os concelhos vizinhos de Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, continua no domingo “com quatro frentes ativas, duas das quais com extrema violência”, afirmou o secretário de Estado da Administração Interna no ponto de situação efetuado este domingo de manhã.

Este incêndio provocou mais do dobro das mortes registadas no anterior incêndio mais mortífero do país, ocorrido em 1966 na serra de Sintra. A maior parte dos corpos foram encontradas no interior ou junto às viaturas onde circulavam na estrada nacional que liga Castanheira de Pera a Figueiró dos Vinhos.

Ainda não é conhecido o número de casas destruídas por este incêndio, que cercou várias aldeias à sua passagem, obrigando à evacuação dos moradores. Em Figueiró dos Vinhos, os desalojados passaram a noite no pavilhão gimnodesportivo. Muitos dos que fugiram ao incêndio nas aldeias do concelho de Pedrógão foram acolhidos em Avelar, concelho de Ansião, onde as autoridades montaram um centro de apoio.

Quanto à origem do incêndio, o diretor nacional da Polícia Judiciária afirmou à agência Lusa que “tudo aponta muito claramente para que sejam causas naturais. Inclusivamente encontrámos a árvore que foi atingida por um raio”, disse Almeida Rodrigues. As trovoadas secas que ocorreram na região - e que se prevê que voltem a ocorrer este domingo -, o calor intenso, a humidade nula e os ventos fortes foram os fatores determinantes para a situação se tornar incontrolável ao fim da tarde de sábado.

Quanto ao trabalho de identificação das vítimas, o diretor nacional adjunto da PJ diz que “é uma tarefa que está a ser realizada em condições extremamente difíceis”. “Não obstante o trabalho já desenvolvido, a identificação definitiva das vítimas mortais só será possível posteriormente”, acrescentou Pedro do Carmo à agência Lusa.

Durante a madrugada, o primeiro-ministro António Costa fez o ponto da situação junto da Proteção Civil, anunciando a chegada do reforço de meios aéreos por parte de Espanha e antecipando que o governo irá decretar luto nacional pelas vítimas deste incêndio. Ao início da tarde de domingo, António Costa admitiu a existência de mais vítimas, afirmando que a prioridade continua a ser o combate ao incêndio e a identificação das vítimas já encontradas. Entretanto, o Conselho de Ministros decretou três dias de luto nacional, entre este domingo e a próxima terça-feira.

Catarina Martins anunciou aos jornalistas no domingo de manhã que o Bloco cancelou todas as iniciativas previstas até terça-feira.

Ao fim da tarde de domingo estão 870 bombeiros, 268 veículos no terreno a lutar contra as chamas nas frentes ainda ativas neste incêndio, com o apoio de 10 meios aéreos. O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses pediu a quem esteja disponível para levar aos corpos de bombeiros de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pera e Alvares "frutas, barras energéticas e água ou outro tipo de alimentos que possam ser facilmente transportados".

Por seu lado, a Marinha portuguesa anunciou o envio de 20 militares e uma cozinha de campanha, que irá fornecer três refeições diárias a 800 pessoas, em Pedrógão Grande, entre a noite de domingo e terça-feira.

Mais de 40 enfermeiros ofereceram-se como voluntários para ajudar as vítimas do incêndio de Pedrógão Grande. A Ordem dos Enfermeiros e a Direção Geral de Saúde do Centro estarão a preparar a sua distribuição. 

As Unidades de queimados dos hospitais de Lisboa, Coimbra, e Porto receberam entretanto 11 feridos no incêndio. Dois feridos em Santa Maria e um no Hospital São José, em Lisboa, além de outros sete no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, dos quais seis estarão em estado grave - cinco nos cuidados intensivos com ventilação. 

Ainda segundo a agência Lusa, um bombeiro "com queimaduras na face e nos membros superiores e inferiores" deu entrada no Hospital da Prelada, no Porto. 

A ministra da Administração Interna afirmou que existem cinco pontos de atendimento da segurança social: no campo de futebol em Avelar; na Santa Casa da Misericórdia em Pedrógão Grande; nos Bombeiros Voluntários de Ansião; no pavilhão gimnodesportivo em Figueiró e, por fim, na Santa Casa da Misericórdia em Castanheira de Pera.

Está também aberta uma linha de emergência para alojamento (o 144). 

À agência Lusa, o presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, faz um balanço: 95% da floresta do concelho ardeu e, ao nível de infraestruturas, o concelho está "a zero".

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Comentários

O fogo num autocarro ocorrido há dias no Túnel do Marão e a catástrofe de Pedrógão Grande que ceifou dezenas de vidas que sirvam para se decidir rapidamente sob a efectiva coordenação e comando de todos os meios envolvidos em grandes sinistros sob pena de se continuar a actuar como se a organização dos nossos abnegados e valorosos bombeiros que merecem todo nosso apreço e carinho fosse de “partisants”.

O combate a incêndios é uma guerra contra um inimigo implacável que tudo destrói e para o combater só há uma organização de profissionais com meios e elevadas e eficazes capacidades de disciplina, de coordenação e de comando, as Forças Armadas!

Em tempo de paz a ANPC e os seus meios terrestres e aéreos, bombeiros profissionais e voluntários e as forças envolvidas da ordem pública, da saúde e sociais devem ser coordenados e comandados por divisão própria das Forças Armadas que juntamente com os seus meios militares navais, terrestres e aéreos, humanos e materiais, constituirão uma força poderosa, disciplinada e organizada para fazer frente a fogos florestais e a catástrofes naturais!

Portugal não é rico!
Portugal não pode continuar a ignorar os seus preciosos recursos, as suas Forças Armadas!
Os apoios das Forças Amadas têm de passar de pontuais para a total e pronta acção.

Como os civis não dão ordens a militares então que sejam os militares a coordenar e a comandar os civis porque só assim é possível porem ao serviço da comunidade as suas vastas capacidades e os seus recursos humanos e materiais!

Aos líderes dos partidos com assento parlamentar e às Senhoras e aos Senhores Deputados roga-se que ponham de lado os seus machados de guerra política e unam esforços para a rápida formação dum “exército” robusto e disciplinado capaz de dar respostas pontas e eficazes a grandes acidentes, fogos florestais e catástrofes naturais!

A sua Excelência o Senhor Presidente da República, a Sua Excelência o Senhor Presidente da Assembleia da República e a Sua Excelência o Senhor Primeiro-Ministro roga-se que se empenhem nesta cruzada limando e burilando as burocracias.

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