Dezenas de ativistas dirigiram-se em manifestação pelas ruas de Hong Kong à Embaixada dos Estados Unidos, num protesto em defesa de Edward Snowden.
É a segunda manifestação que a esquerda democrática de Hong Kong realiza esta semana. O objetivo foi proteger Edward Snowden, que se encontra em Hong Kong, após ter feito a denúncia sobre a vigilância exercida pelo governo americano sobre a vida de milhões de pessoas. E também tomar posição contra a sua extradição, já que os setores mais radicais da direita americana exigem que seja extraditado imediatamente.
Entre os presentes estava o dirigente socialista Leung Kwok Hung, conhecido por “Cabelos Longos”, que discursou em defesa de Snowden, denunciando a violação dos direitos humanos elementares pelo governo americano, que vigia atualmente milhões de pessoas, ilegalmente, em todo planeta.
Crise mantém dividida a sociedade americana
A crise política que se abriu após a denúncia de Snowden, que colocou o governo Obama numa posição indefensável, mantém-se acalorada em todos os setores sociais.
Mesmo o reacionário Al Gore, ex-vice-presidente americano, manifestou esta semana a sua posição contrária ao que faz a administração Obama no escândalo da NSA (Nacional Security Agency). Segundo declarou, esta “não é realmente a maneira de atuar americana”, tentando salvar a reputação de um pais que nesta altura já não pode ser salva. Gore disse também que “questões de segurança não devem sobrepor-se aos direitos básicos dos cidadãos americanos”.
Cabe lembrar também que, durante a tempestade, alguém tentou argumentar que a vigilância não está a ser feita sobre os americanos, ou seja, vigiar todo o planeta, com exceção dos americanos, seria plenamente justificável.
Segundo reportagem publicada pelo britânico The Guardian esta semana, a maioria dos americanos não apoia a atitude do governo Obama, mas muitos, que não têm o que esconder, não parecem preocupar-se com o brutal ataque aos direitos humanos. Se seguirmos o raciocínio de Obama, todos os governos têm agora o direito de espionar a vida de toda a gente, transformando o globo numa grande penitenciária onde todos seremos vigiados. Em nossa defesa, claro, mesmo que não estejamos a pedir que ninguém faça isso.

Os matizes podem variar alguns milímetros, mas durante a semana a maior parte dos comentadores americanos, que, obviamente, são bem pagos para isso, atacaram impiedosamente a atitude de Edward Snowden, os mais radicais alegando que ele não tinha o direito de tomar a decisão de denunciar sozinho.
Se pararmos um momento para refletir, veremos que vivemos um momento onde os direitos humanos se transformaram num animal mitológico completamente inexistente. Não só pelo que faz o governo Obama, mas também diante do que acontece em todos os protestos pacíficos que estão a ser realizados seja na Europa, na Ásia ou mesmo agora em São Paulo, onde a policia desencadeou um espetáculo de violência que não se viu nem durante a ditadura militar brasileira. Naquela época, tudo era feito nas caves escuras do regime. Agora, a violência é brutal, pública e gratuita.
Desde a ascensão do nazismo não se via algo desta natureza e nesta proporção.
Defender Edward Snowden, como fazem os companheiros socialistas de Hong Kong, é defender os nossos próprios direitos humanos e democráticos.