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Hipermercados: greve de 3 dias começou com paralisação na distribuição

Nesta sexta-feira, os trabalhadores dos armazéns dos super e hipermercados cumprem o primeiro de três dias de greve, à qual se juntarão os trabalhadores das lojas, nos dias 23 e 24 de dezembro, associando-se a um protesto contra o congelamento de carreiras e a “estagnação” salarial.
Piquete de Greve no Entreposto da Sonae, na Maia. Foto de CESP.
Piquete de Greve no Entreposto da Sonae, na Maia. Foto de CESP.

A greve, convocada pelos sindicatos da CGTP, tem como objetivo pressionar a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) a evoluir na negociação do Contrato Coletivo do setor, para que se concretizem aumentos salariais, alterações nas carreiras e regulamentação dos horários de trabalho.

Na sexta-feira o protesto abrange apenas o pessoal dos armazéns e centros de logística, bem como todos os trabalhadores do Lidl, mas nos próximos dias 23 e 24 de dezembro, estende-se aos trabalhadores das lojas dos super e hipermercados dos grupos Sonae (Continente), Jerónimo Martins (Pingo Doce), Dia/Minipreço.

No pré-aviso de greve, emitido pela Federação Portuguesa dos Sindicatos do Comércio, Escritórios e Serviços (FEPCES), estão definidas várias reivindicações, como um aumento salarial, a manutenção do valor pago por trabalho suplementar e por trabalho em dia feriado, a negociação do acordo coletivo de trabalho e a regulação dos horários de trabalho, “contra o banco de horas, pelo direito à conciliação da vida profissional com a vida pessoal e familiar”.

Isabel Camarinha, presidente da FEPCES, disse à Lusa que a paralisação deverá ter "uma forte adesão, tendo em conta o descontentamento dos trabalhadores com o arrastamento da negociação do Contrato Coletivo". "Mas isso não quer dizer que as lojas encerrem, porque a maioria consegue manter-se aberta com muito poucos trabalhadores", disse a sindicalista.

Os sindicatos exigem uma mudança de atitude aos empregadores: “As empresas do sector que, diariamente, acumulam lucros milionários têm de mudar de atitude e valorizar a especialização dos trabalhadores e aumentar os salários de todos, sem exigir contrapartidas. Os trabalhadores não aceitam chantagens e lutam pelo reconhecimento do valor do seu trabalho com os seus salários e carreiras melhorados”, lê-se no site do CESP.

Três dezenas de trabalhadores da logística da Sonae concentraram-se na Maia

Na manhã desta sexta-feira, os trabalhadores “em greve por melhores salários” manifestaram-se em frente ao Centro Logístico da Sonae, na Maia, e estenderam uma faixa que impedia o acesso à estrada nacional. A empresa respondeu chamando a PSP.

Marisa Ribeiro, coordenadora do Sindicato do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), contou à TSF que os manifestantes estavam a tentar sensibilizar outros trabalhadores para se juntarem à greve, quando a empresa resolveu chamar a polícia. A sindicalista garante que não chegou a haver confrontos e que tudo se resolveu, os trabalhadores em greve desimpediram a passagem.

Os trabalhadores lutam para que os operadores de supermercado e de armazém tenham um ordenado de pelo menos 653 euros brutos em topo de carreira. Atualmente, o salário em topo de carreira é de 626 euros brutos em Lisboa, no Porto e em Setúbal e de 585 euros no resto do país.

Os funcionários reclamam, assim, o fim da chamada “tabela B”, que estipula salários inferiores para trabalhadores de fora da área do Grande Porto, Lisboa e Setúbal, no que apelidam de “discriminação geográfica", explicou Marisa Ribeiro à Lusa, acrescentando a informação de que “há trabalhadores [da logística da Sonae] há 20 anos a receber o salário mínimo”.

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