“Esta é a melhor resposta aos que pensavam que Thatcher tinha quebrado a espinha à organização da classe trabalhadora”, comentou Joe Higgins, deputado do Partido Socialista da Irlanda a propósito do movimento que envolve igualmente o território do Norte da Irlanda.
A histórica jornada de luta representa a primeira mobilização para as mais jovens gerações depois dos ataques fortíssimos à organização sindical e de desmantelamento do sector público iniciados nos governos de Thatcher, prolongados nos governos do Partido Trabalhista – entretanto convertido ao neoliberalismo – e prosseguidos agora pelo executivo conservador-liberal de David Cameron.
Os primeiros dados revelados pelos meios de comunicação social, incluindo os mais conservadores, reconhecem a força do movimento. Em 20 mil escolas não chegaram a abrir três mil e pela primeira vez, nos seus 114 anos de história, o Sindicato dos Diretores de Escolas aderiu a uma greve. O primeiro ministro, perante a evidência, dirigiu-se especialmente aos empresários pedindo-lhes que deixem os pais levar os filhos para os seus locais de trabalho.
Portos, transportes, serviços de controlo fronteiriço e hospitais – onde foram canceladas dezenas de milhar de consultas – demonstram igualmente o grau de mobilização do sector público do Reino Unido e Irlanda do Norte. Embora no início do dia as autoridades aeroportuárias se tenham apressado a informar que não havia atrasos significativos nos voos a confusão foi-se instalando nos aeroportos durante o dia e algumas horas depois tornara-se impossível disfarçar os efeitos da greve através de comunicados.
Estão previstas mais de mil manifestações em todo o país contra as medidas de austeridade previstas pelo governo para o sector público, sem qualquer negociação com os sindicatos. Aumentos de contribuições para o sistema social com redução de pensões, alongamento gradual da idade de reforma até aos 68 anos, congelamento dos salários, despedimentos em massa, continuação do desmantelamento do sector público e eliminação de serviços sociais, de ensino e saúde são as linhas programáticas governamentais.
Muitos trabalhadores do sector privado juntaram-se à jornada de luta, prevendo-se sobretudo a sua participação nas manifestações, porque o ataque ao sector público terá efeitos no desemprego no sector privado, onde desde os governos de Thatcher os trabalhadores estão submetidos a uma segurança social privatizada dependente do funcionamento das bolsas de valores através dos Fundos de Pensões.
O governo pretende que o sector público pague, através da austeridade, a crise económica que tombou sobre o Reino Unido, onde a economia está praticamente estagnada e não deverá crescer mais de 0,7 por cento em 2012, contra os 2,5 por cento previstos.
A dívida pública disparou igualmente e excede agora em 125 mil milhões de euros os limites inicialmente previstos, sobretudo devido à ajuda à banca e aos investimentos na guerra da Líbia. “Estão a tirar-nos tudo para dar aos banqueiros e para matar gente na Líbia e no Afeganistão”, declarou Pearl, enfermeira, membro de um piquete de greve quarta-feira de manhã em Londres, citada por agência internacionais.
A primeira resposta do governo é de vingança contra o movimento laboral. George Osborne, ministro da Economia, afirmou que além dos 150 mil despedimentos já efetuados haverá ainda mais 700 mil e não os 400 mil inicialmente previstos; os salários continuarão congelados até finais de 2012 e serão aumentados apenas um por cento em 2013 e outro tanto em 2014.
Os sindicatos, embora reconhecendo que vêm de um período longo em que procuraram recuperar dos ataques dos anos oitenta e noventa, salientam que o espírito desta greve demonstra uma combatividade que permitirá responder “à arrogância do ministro” e preparar desde já novas jornadas integradas de luta para o início do ano.
Artigo publicado no portal do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu
Comentários
Isto só demonstra o caráter elitista do governo inglês, onde as massas são engrenagens, porém, as elites ainda são os donos das máquinas.
Em outras palavras, essa declaração de vingança aos trabalhadores é, no mínimo, um gás para mais manifestações.
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