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Greve dos técnicos de diagnóstico com adesão acima dos 90%

Sindicato avisa que, se até dia 19 a aplicação das carreiras não estiver resolvida, avançam com nova paralisação por tempo indeterminado. Moisés Ferreira, deputado do Bloco, questiona o governo e exige que "o diálogo e a negociação" sejam "retomados imediatamente". 
Protesto dos Técnicos de Diagnóstico em greve nacional. Foto de Rodrigo Antunes, Lusa.
Protesto dos Técnicos de Diagnóstico em greve nacional. Foto de Rodrigo Antunes, Lusa.

De acordo com o Sindicato dos Técnicos Superiores de Saúde, a greve nacional dos técnicos de diagnóstico e terapêutica, marcada para esta quinta e sexta-feira, está a registar uma adesão entre os 90 e os 100%. 

Segundo declarações de Almerindo Rego aos jornalistas no Hospital de São João, no Porto, “não temos números precisos das regiões autónomas, mas no território continental a adesão está muito próxima desses valores, atendendo a que os grandes hospitais, como por exemplo o Santa Maria, em Lisboa, radiologia e análises clínicas estão praticamente a 100%”. 

Em agosto, diz Almerindo Rego, o governo avançou com a publicação das novas carreiras, mas não deu qualquer “continuadade à negociação em relação a um conjunto de matérias que operacionalizam a aplicação das carreiras - perfis de competências designações profissionais e avaliações de desempenho, por exemplo - para que tudo ficasse concluído até final de setembro e nada.”

Para Almerindo Rego, “o estranho, no meio disto tudo, é que senhor secretário de Estado da Saúde diz que não tinha nada para apresentar ao sindicato e que primeiro ainda teria de fechar as negociações com os médicos e com os enfermeiros”.

Para o Sindicato, a situação "roça quase o insulto por uma razão muito simples, o Governo acordou connosco um conjunto de condições, a nossa parte cumprimo-las e, agora, que pretendíamos dar continuidade às negociações para poder haver efetiva aplicação das carreiras, estamos num impasse porque o Governo não nos apresentou até ao momento qualquer proposta. Embora tenham sido publicadas as carreiras, elas não têm tradução real."

De acordo com o sindicalista, “o sindicato avançou com estes dois dias de greve para evitar grandes danos aos doentes do Serviço Nacional de Saúde como aviso ao Governo. Mas se até dia 19 o processo não estiver desbloqueado, entramos em greve por tempo indeterminado”.

Esta área de trabalho abrange mais de 20 profissões, em áreas como análises clínicas, radiologia, fisioterapia, farmácia ou cardiopneumologia, num total de cerca de dez mil profissionais.

Bloco questiona governo e exige retoma do diálogo

Numa pergunta enviada ao governo esta quinta-feira, o deputado Moisés Ferreira considera a greve "mais do que justificada", uma vez que o próprio governo "assumiu, ainda no final de 2016, o compromisso de negociar o novo regime legal da carreira aplicável aos técnicos superiores das áreas de diagnóstico e terapêutica".

O decreto-lei que tem como objeto este novo regime legal, explica o deputado, foi publicado no dia 31 de agosto de 2017, "tendo o Governo assumido o compromisso de durante o mês de setembro continuar a negociação de uma série de outros aspetos, como é o caso da revisão dos perfis de competência, a avaliação dos profissionais, a transição dos profissionais para a nova carreira, as tabelas salariais a aplicar, entre outras questões".

Por isso, questiona o Ministro da Saúde sobre "quando serão retomadas as negociações em torno da transição para a nova carreira"? 

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