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Grécia: Resultados de cinco anos de austeridade

A Metropolitan Community Clinic at Helliniko retrata a verdadeira devastação da saúde pública provocada pelas políticas de austeridade. Esta clínica social assinala ainda o dramático empobrecimento da população – com 58% dos gregos a viverem perto ou na pobreza absoluta, bem como o “declínio acentuado no acesso a alimentação adequada, aquecimento e aos serviços públicos”.

A clínica social Metropolitan Community Clinic at Helliniko, criada para colmatar a falta de medicamentos, de vacinas, e a exclusão de vários cidadãos do sistema de saúde, e que sobreviveu nos últimos anos essencialmente à custa de donativos individuais, traça um cenário desolador que reflete os resultados da austeridade extrema vivida na Grécia nos últimos cinco anos.

No comunicado de imprensa divulgado no final de fevereiro, intitulado "Aqui estão os resultados da austeridade", a Metropolitan Community Clinic at Helliniko lembra como foi confrontada, em 2012, com inúmeros bebés com peso abaixo do normal, alguns dos quais apresentando somente um quarto do peso recomendado.

Esta clínica social refere ainda os casos de mães sem seguro de saúde que não podiam pagar as despesas de saúde dos seus filhos, os quais eram mantidos no hospital até a dívida estar saldada, ou de um homem que viu a sua cirurgia ser abruptamente interrompida por falta de pagamento, de doentes com cancro a aguardar tratamento durante longos meses e de um doente em estado crítico que acabou por falecer por não ser aceite em nenhum hospital.

Ainda que esta problemática tenha sido “amplamente coberta pela imprensa”, nomeadamente pela BBC, que, segundo a Metropolitan Community Clinic at Helliniko, produziu algumas das melhores peças sobre esta problemática (ver reportagem In Sickness and in Debt), “grande parte do público ainda não tem conhecimento do dano infligido àqueles que foram excluídos do sistema de saúde”.

A par da dissolução dos cuidados de saúde em geral, é assinalado o “declínio acentuado no acesso a alimentação adequada, aquecimento e aos serviços públicos”.

Citando informações compiladas quer pelo site in.gr, pelo jornal Kathimerini e pelo Instituto Prolepsis, quer pelo próprio parlamento grego, a clínica social apresenta uma compilação de dados que retrata a degradação acentuada das condições de vida da população grega, particularmente no que respeita aos mais jovens:

- 6 em cada 10 alunos em 64 escolas de Atenas estão subnutridos;
- 61% dos alunos destas mesmas escolas têm um dos pais desempregados, 17% das famílias não têm pais empregados;
-11% das crianças estão excluídos do sistema de saúde. 7% ficaram sem eletricidade durante uma semana ou mais em 2014; 3% ainda não tem eletricidade nas suas casas;
- 406 escolas na Grécia receberam ajuda de instituições/grupos externos para alimentar os seus 61.876 alunos;
- 1.053 escolas candidataram-se este ano para participar do programa "Nutrição", com vista a fornecer refeições a 152.397. Atualmente, 15.520 alunos de 150 escolas participam;
- 42.727 questionários foram preenchidos pelos pais em 23 prefeituras de todo o país e 54% das famílias não pode consistentemente fornecer alimentos para as suas famílias. 21% das famílias passam fome;
- 8 milhões de gregos vivem perto do limiar da pobreza (432 € por mês por pessoa);
- 5 milhões de gregos vivem abaixo do limiar da pobreza (233 € por mês por pessoa, a definição de pobreza extrema.
Por outras palavras, 58% da população grega - 6,3 milhões de cidadãos - vive perto ou na pobreza absoluta.

These are the results of the Greek austerity

In Sickness and in Debt (BBC "Our World")-Greek Subtitles (Ελληνικοί Υπότιτλοι)

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