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Grécia: Protestos contra restrições à greve e novas medidas de austeridade do Syriza

Milhares de pessoas marcharam no centro de Atenas na sexta-feira contra o projeto de lei que o parlamento deverá aprovar na próxima semana em troca de uma nova parcela do empréstimo externo. Em causa estão restrições ao direito à greve e mais cortes nos apoios sociais.
Foto de Foto Orestis Panagiotou/EPA/LUSA, Arquivo.

Perto de 20 mil trabalhadores protestaram na capital grega no culminar de uma semana de greves e protestos. Esta sexta-feira, foi a vez de médicos, trabalhadores do metro e marinheiros promoverem uma paralisação de 24h contra o ataque ao direito à greve e as novas medidas de austeridades que irão a votos na próxima segunda-feira.

O encerramento do metro causou o caos no trânsito em Atenas e os barcos não saíram dos cais. Entre os grevistas encontravam-se os trabalhadores da central sindical GSEE, de sindicatos do setor privado bem como da central sindical PAME, dirigida pelo Partido Comunista.

O governo Syriza mobilizou a polícia de intervenção contra os trabalhadores, que foram atacados com gás lacrimogénio quando tentaram subir as escadas do Parlamento, na Praça Syntagma.

O projeto de lei que irá ser discutido na próxima semana inclui uma disposição que obriga os sindicatos a reunirem um número maior de votos para convocarem greves - de perto de um terço dos seus membros para mais de 50% - e mudanças nos apoios sociais para famílias numerosas.

Os próprios ministros do Syriza não tiveram uma linha comum nos seus argumentos para defender estas medidas.

Ecoando as declarações do porta-voz do governo, Dimitris Tzanakopoulos, o ministro das Finanças, Euclid Tsakalotos, afirmou que as propostas não são uma opção do SYRIZA, mas sim uma imposição dos credores internacionais do país.

Já a ministra do Trabalho, Effie Achtsioglou, defendeu as medidas, argumentando que as mesmas aumentariam e unificariam os sindicatos.

Os media gregos deram ainda a conhecer uma carta escrita pela deputada do SYRIZA Georgia Gennia, endereçada a Alexis Tsipras, na qual manifesta a sua preocupação face aos cortes nos apoios sociais e descreve como "justificada" a preocupação e o descontentamento das famílias que serão afetadas.

O Governo quer agora garantir que os deputados do Syriza votam a favor da proposta na próxima segunda-feira, por forma a garantir a libertação de mais uma parcela do empréstimo externo na cúpula dos ministros das Finanças da Zona do Euro, que terá lugar a 22 de janeiro.

Os representantes dos credores da Grécia já adiantaram, contudo, que a reforma não é suficiente, e que novas medidas devem ser aplicadas nos próximos dias.

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