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Governo espanhol autoriza construção de armazém nuclear em Almaraz

O Ministro do Ambiente português admitiu recorrer às autoridades europeias caso a construção do armazém se confirmasse.
Central Nuclear de Almaraz
Central Nuclear de Almaraz

O governo espanhol autorizou "a execução e montagem (...) do Armazém Temporário Individualizado (ATI) da Central Nuclear Almaraz", confirma uma resolução da Direção-Geral de Política Energética e Minas do Ministério da Energia. O documento de 14 de dezembro refere os pareceres favoráveis por parte do Conselho de Segurança Nuclear (CSN) e da Secretaria de Estado do Meio Ambiente espanhol.

Esta decisão ignora o projeto de resolução aprovado pelo parlamento português que pedia o encerramento da central, e que referia precisamente a construção do ATI como demonstrativo "da sua política de extensão do prazo de vida desta central nuclear".

O Ministro do Ambiente português admitiu a 9 de novembro "solicitar a mediação da União europeia, caso Espanha não dê resposta ao pedido de informações português relativo à construção deste armazém nuclear". De facto, o governo espanhol não enviou qualquer informação ao governo português desde então.

O CSN, que deu pareceres favoráveis à construção do ATI, foi recentemente denunciado pela Associação Profissional de Técnicos em Segurança Nuclear (Astecsn)  devido à "grave deterioração da função reguladora deste organismo, devido à atuação dos seus atuais gestores".

Segundo a Astecsn, o CSN "cede a pressões do setor em detrimento da segurança nuclear" e os técnicos que inspecionam as centrais, como a de Almaraz, "estão imersos numa política de medo" e "ocultação de informação".

A proximidade da central nuclear à fronteira com Portugal e as falhas de funcionamento acumuladas nos últimos anos, conduziram já a que o parlamento português aprovasse uma resolução apresentada pelo Bloco a favor do encerramento da central nuclear.

Em declarações à Agência Lusa, a Quercus defende que o governo deve remeter o caso para Bruxelas: "É uma notícia que apesar de ser esperada não deixa de ser dececionante. Neste momento, é a altura certa para que o Governo português tome uma medida corajosa e que remeta imediatamente o assunto para Bruxelas com um forte protesto por tudo o que se passou".

Nuno Saraiva, da associação, afirmou que "Achamos lamentável que o Governo português, tenha de certo modo, ignorado e dado pouca atenção a este assunto, uma vez que teria tido tempo, desde setembro (quando o CSN deu parecer favorável à construção do ATI) até agora, de exercer maior pressão", sustentou.

"O ministro do Ambiente que diga de uma vez por todas que a central não interessa a Portugal e que seja encerrada em 2020. Foi isto que ainda não ouvimos o Governo dizer. Está mais do que visto que todos os pedidos de audiência e conversações que decorreram não surtiram o mínimo efeito. Houve aqui uma clara falta de respeito do Governo espanhol para o Governo português", concluiu.

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