"Governo decidiu fechar o país", diz reitor da Universidade de Lisboa

10 de abril 2013 - 0:00

Sampaio da Nóvoa reagiu em comunicado ao despacho de congelamento das despesas da administração pública, assinado por Vítor Gaspar. "É assim que se resolvem os problemas de Portugal?", pergunta o reitor da Universidade de Lisboa.

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Reitor da Universidade de Lisboa não poupa nas críticas ao despacho de Gaspar, sinal de uma "política do 'quanto pior, melhor'". Foto Universidade de Lisboa

Sampaio da Nóvoa acusa Vítor Gaspar de ter lançado com o seu despacho "a perturbação e o caos sem qualquer resultado prático", numa altura de "crise gravíssima" em que "se exige clareza nas políticas e nas orientações, cortando o máximo possível em todas as despesas, mas procurando, até ao limite, que as instituições continuem a funcionar sem grandes perturbações".

"O Governo utiliza o pior da autoridade para interromper o Estado de Direito e para instaurar um Estado de excepção", acusa o reitor da Universidade de Lisboa, sublinhando que "o despacho é uma forma de reação contra o acórdão do Tribunal Constitucional, como se explica logo na primeira linha" do documento assinado pelo ministro das Finanças.

"Ficamos impedidos de comprar produtos correntes para os nossos laboratórios, de adquirir bens alimentares para as nossas cantinas ou de comprar papel para os diplomas dos nossos alunos. É assim que se resolvem os problemas de Portugal?", pergunta o reitor, indignado com a atitude de um Governo que "adopta a política do 'quanto pior, melhor'". 

"Não é fechando o país que se resolvem os problemas do país", diz Sampaio da Nóvoa, prometendo que a Universidade de Lisboa saberá "estar à altura deste momento e resistir a medidas intoleráveis, sem norte e sem sentido". "Não há pior política do que a política do pior", conclui o comunicado divulgado poucas horas após o polémico despacho ministerial desta terça-feira. 

No ano passado, Sampaio da Nóvoa presidiu às comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas e sublinhou no seu discurso que "a arrogância do pensamento inevitável é o contrário da liberdade". "Precisamos de alternativas. Há sempre alternativas", acrescentou o reitor no passado 10 de Junho, defendendo a aposta numa "organização da sociedade com base na valorização do conhecimento", aproveitando o potencial de conhecimento, ciência e tecnologia do país para "reorganizar a estrutura social" e "integrar uma geração qualificada". Ao contrário dos seus antecessores, que estiveram vários anos à frente das comemorações do 10 de Junho, Cavaco Silva anunciou na segunda-feira que as comemorações deste ano serão presididas pelo seu ex-ministro Silva Peneda.