Está aqui

Festival de Almada acolhe espetáculo apoiado por Israel

Comité de Solidariedade com a Palestina lamenta que o Festival de Almada, apoiado e financiado pela Câmara de Almada, tenha “decidido seguir em frente com a sua associação à embaixada de um país conhecido pelos seus constantes crimes de guerra”.
Comité de Solidariedade com a Palestina apela ao cancelamento do espetáculo de dança do Kamea Dance Company, a realizar-se no dia 12 de julho, e ao repúdio do apoio da Embaixada de Israel.

Numa carta enviada a 30 de junho aos organizadores do Festival de Almada, o Comité de Solidariedade com a Palestina apela ao cancelamento do espetáculo de dança do Kamea Dance Company, a realizar-se no dia 12 de julho, e ao repúdio do apoio da Embaixada de Israel.

“A actuação do Kamea Dance Company no prestigiado 34º Festival de Almada vem com o patrocínio da Embaixada de Israel. Esta companhia tem o estatuto oficial de embaixador da cidade de Beer Sheva, onde hoje Israel continua a expulsar comunidades palestinianas com o objectivo de limpeza étnica”, lê-se na missiva.

Segundo assinala o Comité de Solidariedade com a Palestina, “a Kamea Dance Company é portanto um órgão central da campanha de marketing chamada Brand Israel instituída pelo governo israelita, que tem como objectivo explícito apresentar Israel como um ‘país normal’ e desviar a atenção da opinião pública em todo o mundo das contínuas violações dos direitos humanos e do direito internacional pelo governo israelita”, sendo que, para esse efeito, “o governo israelita promove o uso propagandístico da cultura e das artes, e a Kamea Dance Company aceita voluntariamente o papel de embaixador oficial em troca do financiamento que recebe do Estado”.

“Eventos como o Festival de Almada são ocasiões importantes para apresentar o melhor da música, da dança e do teatro, e neles não pode haver espaço para o uso da cultura ou das artes como propaganda. Os laços directos com o governo israelita tornam impossível descrever o papel da Kamea Dance Company como ‘apolítico’. Quando os artistas são cúmplices da opressão de um povo, devem ser boicotados”, defende o Comité de Solidariedade com a Palestina.

Segundo lembra o Comité, no âmbito do movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) contra Israel, a Campanha Palestiniana para o Boicote Académico e Cultural de Israel (PACBI) “convida a comunidade internacional a boicotar todos os órgãos culturais que mantenham relações institucionais com o governo israelita”, sendo que este boicote “não é dirigido contra os artistas israelitas individuais, mas contra instituições israelitas e os mecanismos através dos quais os artistas se tornam instrumentos da propaganda do regime”.

Assim sendo, é pedido aos “aos organizadores do Festival de Almada para não serem neutros e assumirem publicamente a responsabilidade política e intelectual que diz respeito a todos os assuntos que operam na esfera da cultura”: “Pedimo-vos que cancelem o espectáculo e não aceitem o apoio da embaixada de Israel, seguindo o exemplo do Festival de Cinema Queer de Lisboa, que largou o apoio da embaixada de Israel desde 2011”, lê-se na carta.

A concelhia de Almada do Bloco de Esquerda manifesta-se solidária com o apelo do Comité de Solidariedade com a Palestina e apela à história de liberdade e espírito crítico do Festival de Teatro de Almada para que recuse a neutralidade perante  do regime de apartheid israelita.
 

Artigos relacionados: 

Termos relacionados Sociedade

Comentários

"A concelhia de Almada do Bloco de Esquerda manifesta-se solidária com o apelo do Comité de Solidariedade com a Palestina e apela à história de liberdade e espírito crítico do Festival de Teatro de Almada para que recuse a neutralidade perante do regime de apartheid israelita."

E Isto basta para ser solidário...escrever...Só isto...E acções não propõem nada?
É muito pouco, que injustiça para o povo palestiniano. Deviam estar presentes aquando da actuação do Grupo israelita e mostrar a nossa indignação. O Povo Palestiniano num pais de repressão e morte luta pela liberdade com dezenas de vitimas. E nós? Num pais livre escrevemos umas palavras. O Povo Palestiniano não merece esta indiferença e inércia por parte de quem os diz defender e apoiar. Vão para rua é ai que a luta se faz.

Adicionar novo comentário