Fenprof prevê 10 mil professores com horário-zero

As expectativas dos sindicatos sobre o número de professores com horário-zero pecaram por defeito. A Fenprof pegou nos números já divulgados pelo Ministério e calcula que em setembro, em vez dos sete mil que tinha estimado, haja dez mil docentes com horário-zero.
Foto Paulete Matos

A nota divulgada esta segunda-feira diz que os números já revelados superam as expectativas mais negativas. Os 5.733 docentes que o Ministério anunciou este mês estarem em concurso para Destacamento por Ausência de Componente Letiva (DACL), ou seja, com horário-zero, representam "um acréscimo de 65% em relação ao ano passado". "A estes, junta-se a esmagadora maioria dos 1.678 docentes destacados por condições específicas que, devido à data tardia do seu destacamento, as escolas não conseguiram atribuir-lhes serviço letivo", acrescenta a Fenprof. E para a soma ficar completa, falta saber quantos milhares de professores que foram retirados do concurso é que irão ficar com menos de seis horas de componente letiva.

É por isto que a Fenprof quer que o Ministério divulgue publicamente o número de docentes com horário-zero nas escolas e agrupamentos "e não, apenas, quantos se mantêm em concurso para DACL". E calcula agora que "em setembro, quando o ano letivo se iniciar, o número de docentes com horário-zero se aproxime dos 10.000, ou seja, bem acima dos estimados 7.000".

A federação sindical está preocupada com a "grande instabilidade profissional" que está a ser vivida por milhares de profissionais que "caso se mantenham em horário-zero, poderão ser empurrados para a mobilidade especial e, assim, afastados das escolas ou agrupamentos a cujos quadros pertencem".

Na nota divulgada, a Fenprof prevê ainda que a taxa de desemprego docente que duplicou no último ano seja "absolutamente pulverizada" no próximo mês. Os números de professores desempregados só começam a ser conhecidos a partir de 31 de agosto, depois das colocações para a contratação. Os sindicatos temem que cerca de 25 mil professores poderão perder o seu trabalho já em setembro por causa da orientação política do Governo, materializada no "aumento do número de alunos por turma, mega-agrupamentos, revisão da estrutura curricular", entre outras medidas do ministro Nuno Crato.

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