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Facebook elimina página do "Jovem Conservador de Direita"

A página satírica "Jovem Conservador de Direita" contava com dezenas de milhares de seguidores e tinha sido denunciada por “grupos organizados de trolls de extrema-direita”, apontam os autores.
O Jovem Conservador de Direita, acompanhado pelos seus dois "seguranças", na apresentação do livro "A falácia do empreendedorismo", de José Soeiro e Adriano Campos

Uma das páginas satíricas mais populares em Portugal acaba de ser eliminada do Facebook, sem direito a defesa. As denúncias por parte de elementos associados à extrema-direita terão estado na origem da decisão da rede social, que classificou os conteúdos como “discurso de ódio”, bloqueando também as páginas pessoais dos seus autores.

A página surgiu por iniciativa de três amigos, Sérgio Duarte, Frederico Saragoça e Bruno Henriques, que criaram a personagem do Jovem Conservador de Direita em 2015. Os textos reproduziam até ao absurdo os argumentos ideológicos da direita, a propósito de todo o tipo de debates sobre a política e a sociedade portuguesa.



"A nossa página é inspirada no estereótipo de um jotinha que consegue ascender dentro de um partido de direita com mérito, mas com uma boa dose de compadrio”, resumiu ao JN um dos autores. O humor dos seus artigos valeu a este grupo uma legião de seguidores - mais de 50 mil no Facebook -, crónicas em jornais, presenças na televisão e um livro publicado, “A Era do Doutor”.

"É fácil denunciar alguma coisa nas redes sociais só porque não gostamos, como base unicamente nas emoções. Agora, quando vemos uma página como o Jovem Conservador de Direita ser eliminada por denúncias, que até podem ser de bots automáticos, percebemos que a liberdade de expressão está em risco”, acrescentam os autores.

“É tremendamente injusto e grave o que se está a passar. Pensem apenas que a vossa liberdade de expressão nesta plataforma está dependente de um algoritmo cego que não analisa devidamente as situações denunciadas e permite que haja censura”, diz Frederico Saragoça em reação ao anúncio da eliminação definitiva da página.

“É triste que uma rede social que pretende ser uma ‘comunidade’ e unir as pessoas, censure desta maneira sátira”, lamenta Sérgio Duarte.

Quem quiser continuar a seguir o Jovem Conservador de Direita pode fazê-lo na rede social Twitter e os autores prometem que em breve irão encontrar outra forma de divulgar os seus textos e assim continuarem a provocar alguma irritação e muitas gargalhadas ao seu público.

 

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