Camaradas,
Eu venho da Grécia, um país destruído e desesperado, um país em ruínas mas que continua de pé. Desta Grécia que resiste e que acaba de dizer um enorme e magnífico NÃO aos seus torturadores: a Troika (FMI, Comissão Europeia e BCE) e aos vossos Merkel e Schaüble, aos Barroso, Sarkozy e aos banqueiros. Em suma, àqueles que nos impõem políticas desumanas e bárbaras. Estes políticos provocam a subnutrição das crianças e mesmo a fome nas grandes cidades gregas. E tudo isto onde? Não em qualquer parte do Terceiro Mundo, mas aqui o coração da rica Europa. E quando? No momento histórico em que, como nunca antes, a humanidade mais riquezas produz.
Camaradas,
Os resultados das eleições de 6 de Maio não deixam a menor dúvida: uma enorme maioria de cidadãos gregos rejeitou as políticas de austeridade. É um verdadeiro sismo político! O país que foi escolhido para ser laboratório das políticas de austeridade está agora em revolta aberta contra os que o fazem morrer à fome e o humilham, os que fecham os seus hospitais e escolas, os que destroem e vendem este belo país por nada, contra os seus carrascos gregos e estrangeiros.
Mas atenção: os Gregos em revolta não devem ficar sós no momento em que estão a transformar a sua cólera em movimento consciente e libertador, agora que a perspectiva de um governo grego de esquerda começa a surgir no horizonte, a ser possível e realista. Se os Merkel e Sarkozy, o FMI e a Comissão Europeia fizeram dos Gregos cobaias e da Grécia laboratório das suas políticas bárbaras, cabe-nos a nós, povos da Europa, fazer igualmente da Grécia o posto avançado dos nossos combates comuns contra aqueles que destroem as nossas vidas e a natureza. Porque a resistência dos Gregos é a resistência de todos, as suas lutas são as nossas lutas...
Camaradas,
Eu venho de um país que hoje se volta para vós esperando actos concretos de solidariedade. Neste momento e não amanhã. Porque é neste momento que mais que nunca os Gregos em revolta estão directamente ameaçados de extinção por todos aqueles que receiam que o seu exemplo crie émulos e se espalhe como uma mancha de óleo por toda a Europa. E asseguro-vos, os gregos em revolta estão convencidos que a melhor solidariedade é que a Europa os imite. Que em cada país seja imitado o seu exemplo. Que desenvolvamos e coordenemos as resistências contra as políticas desumanas de austeridade e de destruição. Aliás, é isso precisamente que receiam os nossos inimigos comuns: O CONTÁGIO! O contágio das lutas em toda a Europa.
Por isso, sim, façamos isso, FAÇAMOS UMA, DUAS TRÊS, MUITAS GRÉCIAS! Ponhamo-nos em rede, coordenemo-nos, organizemos metodicamente um movimento unitário e radical, de massas e democrático, sobre todo o nosso velho continente, em toda a Europa, da Roménia à Irlanda e de Itália à Islândia. Um movimento de longo fôlego e de grandes ambições emancipadoras, que combine a unidade mais ampla com a radicalidade libertadora. Agora é a hora. Porque unidos venceremos, divididos cairemos!
Obrigada, camaradas.
Traduzido por Leonor para o site do CADTM.
Comentários
DIGO COM LÁGRIMAS NOS OLHOS, QUE ME IMPRESSIONOU ESTE DISCURSO.SOMOS TODOS GREGOS E TEMOS DE LUTAR JUNTOS PARA DERRUBAR OS TIRANOS DESTA U.E.E TRANSFORMA-LA NOUTRA DE INTERAJUDA COM UM BANCO EUROPEU SEM ESTES NAZIS ,MAS CONTROLADO PELOS POVOS.NASCEU UMA NOVA ERA, UMA NOVA ESQUERDA UMA NOVA GERAÇÃO, QUE SERÁ O DEVIR DA U.E.OS PARTIDOS SOCIALISTAS DA EUROPA QUE VIRARAM EXTREMA DIREITA SERÃO ANULADOS POR ESTA NOVA ERA DE RETOMA DAS CAUSAS SOCIALISTAS NA EUROPA.ESTOU FELIZ POR ME APERCEBER QUE ESTES POLOS ESTÃO A CRESCER ACELARADAMENTE.VIVA O SOCIALISMO E O POVO GREGO AO QUAL TEMOS DE AGRADECER ESTA VERDADE. HELENA
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