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Estudo destaca peso das desigualdades sociais nas doenças de origem alimentar

Segundo sinaliza o relatório do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável 2017, comer mal é “o principal fator responsável pela perda de anos de vida saudável (15,8%)”. Em Portugal, quase 10% da população tem diabetes e 36% sofre de hipertensão arterial.
Foto de Paulete Matos.

O último balanço do estado alimentar e nutricional da população portuguesa, apresentado este sábado, revela que a obesidade e doenças relacionadas, nomeadamente a diabetes, “são mais comuns nos mais pobres” e que “os que mais estudaram são, normalmente, os que comem melhor”.

Pedro Graça, diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável 2017 da Direcção-Geral da Saúde (DGS), salientou que a influência das desigualdades sociais nas doenças de origem alimentar é clara.

Se entre aqueles que completaram apenas o 2.º ciclo do ensino básico 38,5% são obesos, já entre os que acabaram o ensino secundário a percentagem desce para 17,1%, e para 13,2% entre os que têm um curso superior. 

A nível nacional, 22,3% dos portugueses são obesos e 34,8% são pré-obesos.

Segundo revela o relatório, mais de um quinto dos produtos consumidos não constam da roda dos alimentos, sendo que “os bolos, doces, bolachas, snacks salgados, pizzas, refrigerantes, néctares e bebidas alcoólicas representam 21% do consumo total”.

A obesidade e o peso em excesso em Portugal são, de facto, extremamente preocupantes: Quase 10% da população tem diabetes e 36% sofre de hipertensão arterial, o que implica uma necessidade de medicação permanente e um acompanhamento constante por parte dos serviços de saúde.

Neste contexto, as metas traçadas pelos técnicos para 2020 passam por reduzir em 10% a quantidade de sal e de açúcar dos principais grupos de alimentos ricos em sal e doces, aumentar em 5% o número de pessoas que come frutas e legumes todos os dias e aumentar em 20% o número de pessoas que conhece a alimentação mediterrânica. 

15% dos idosos estão em risco de desnutrição

A obesidade entre os idosos é ainda mais preocupante: 39,2% tem obesidade e 41,8% pré-obesidade.

Por outro lado, ao analisarmos os dados do projeto “Nutrition Up 65”, que integram o relatório do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, verificamos também que 14,8% dos idosos têm risco de desnutrição e 1,3% estão desnutridos, com três em cada quatro a registarem fragilidade (21,5%) ou pré-fragilidade (54,3%) óssea.

Menos de um terço dos idosos apresentam vitamina D suficiente e 85,9% consumem mais sal do que o recomendado. 16,3% registam falta de hidratação ou estão em risco.

Os idosos são ainda o grupo etário que apresenta maiores prevalências de défice de cálcio (54,6%) e ácido fólico (58,6%).

O diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável frisou que a população idosa “é uma população de risco que precisa de ser observada e cuidada”, indicando que foi a primeira vez que se detalharam alguns indicadores relativamente aos hábitos alimentares dos mais velhos, uma faixa que tem sido menos analisada.

“Há a necessidade de dar atenção muito particular às populações idosas, não só as institucionalizadas, mas também as que vivem nas suas próprias casas”, acrescentou.

Pedro Graça alertou ainda que “as pessoas a partir dos 65 anos devem ter um apoio médico e nutricional relativo à sua alimentação, com os especialistas a identificarem os seus hábitos alimentares e a corrigi-los”.

“Com uma alimentação saudável, não serão necessários suplementos, mas, se forem, só um profissional de saúde deve dar essa indicação”, apontou.

A par de outros fatores, como a deterioração da capacidade de mastigar com o evoluir da idade e a alteração de preferências alimentares, Pedro Graça lembrou que os dados foram recolhidos “depois de três ou quatros anos de grande crise económica e social”, durante os quais muitos dos idosos tiveram de apoiar os seus filhos e netos.

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