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Estado da UE: Marisa destaca ausência da pobreza no discurso de Juncker

A eurodeputada bloquista comentou o discurso em que o presidente da Comissão Europeia defendeu a inclusão de todos os Estados-membros na zona euro e a criação de um ministro da Economia e Finanças da UE.
Jean-Claude Juncker fez esta quarta-deira em Estrasburgo o seu discurso do Estado da União. Foto Parlamento Europeu / © União Europeia

O discurso de Jean Claude Juncker no Parlamento Europeu procurou dar uma imagem positiva do desempenho económico da União Europeia nos últimos anos. “O vento está de volta às velas da Europa” e é preciso aproveitá-lo, disse o presidente da Comissão Europeia, defendendo que é tempo de passar à ação a partir do debate sobre os cenários do futuro da UE após a saída do Reino Unido.

Para Marisa Matias, em declarações à TSF, a intervenção de Juncker permite “um debate mais político do que nos anos anteriores” e trouxe algumas novidades, como a da proposta de criação de uma Autoridade Europeia para o Trabalho para combater o dumping social.

“Temos muitos emigrantes por essa Europa fora que sabem bem os custos desse dumping social, ao receberem salários muito mais baixos do que os nacionais desses países”, lembrou Marisa, destacando esta proposta.

Por outro lado, “a forma como falou do que está a passar na Turquia contrasta com o acordo que assinou em matéria de contenção de refugiados, pois aí já não há preocupação com os direitos humanos”, acrescentou a eurodeputada do Bloco.

Quanto às ausências do discurso do presidente da Comissão, Marisa destacou a pobreza. “Continuamos a ter 40 milhões de pobres na UE e nem uma referência” no discurso de Juncker, lamentou. Uma outra ausência notada pela eurodeputada do Bloco é relativa à fiscalidade, “depois de todos os escândalos fiscais que ocorreram neste mandato, alguns dos quais ligados ao seu país, Juncker falou de fiscalidade como cão a passar por vinha vindimada”, assinalou Marisa.

Quanto às propostas de Juncker, Marisa escolheu duas para deixar clara a sua discordância: a “aposta na maioria qualificada e o abandono da unanimidade na tomada de decisão no Conselho” em alguns temas, e a criação do ministro da Economia e Finanças europeu quando “não existe uma articulação entre a política monetária e a política orçamental” na UE.

Apesar do conteúdo político reforçado desta mensagem de Juncker, o discurso ficou também marcado por uma das habituais gaffes do presidente da Comissão, quando afirmou que a Europa vai da Espanha até à Bulgária, nomeando Vigo como o ponto mais ocidental.

 

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