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A ex-ministra da Economia de Sarkozy e atual diretora do FMI Christine Lagarde, suspeita de cumplicidade em processos de falsificação e desvio de fundos públicos no escândalo Tapie, foi interrogada durante 22 horas pelos juízes do Tribunal de Justiça da República, no passado dia 23 de maio, e declarada testemunha assistente.
Dois meses antes, a 20 de março do presente ano, a polícia encontrou, em casa da atual diretora do FMI, uma carta manuscrita e sem data, destinada a Nicolas Sarkozy.
Ainda que não se saiba se Lagarde enviou ou não a carta, ela foi publicada esta segunda-feira no diário francês Le Monde, que tem tido acesso ao processo judicial e dedicado bastante atenção ao assunto.
Em 2008 um tribunal arbitral privado condenou o Estado francês a indemnizar em 403 milhões de euros o empresário Bernardo Tapie, ex-ministro socialista, no entanto, amigo de Sarkozy, pelo qual fez campanha em 2007.
Segundo a investigação, o ex-presidente da República, que goza de imunidade como ex-chefe de Estado, foi o grande arquiteto sombra da arbitragem privada, que contou o aval de Lagarde, então ministra da Economia. O atual Governo socialista recorreu da decisão do tribunal arbitral privado para a Justiça.
A carta de Lagarde é um autêntico juramento de fidelidade, que publicamos na íntegra:
“Querido Nicolas, muito breve e respeitosamente,
1) Estou ao teu lado para te servir e servir os teus projetos para a França
2) Tenho dado o melhor de mim, mas se te falhei alguma vez. Peço-te perdão.
3) Não tenho ambições políticas nem desejos de me converter numa ambiciosa servil como muitos desses que te rodeiam e cuja lealdade é, em alguns casos, pouco duradoura.
4) Utiliza-me como te convier e como convier ao teu projeto e ao teu casting.
5) Se me utilizares, preciso de ti como guia e como apoio: sem guia arrisco-me a ser ineficaz, sem o teu apoio arrisco-me a ser pouco credível. Com a minha imensa admiração, Christine L.”