Escândalo financeiro faz razia na administração do Barclays

As demissões de topo no Barclays sucedem-se. Depois do “chairman” ter deixado o banco, na sequência da manipulação das taxas de juro Euribor e Libor, agora foi a vez do administrador ter deixado o cargo com “efeitos imediatos”. A pressão política e da opinião pública para um inquérito ao mais recente escândalo financeiro cresce a cada momento.
Escândalo financeiro faz razia na administração do Barclays

Bob Diamond demitiu-se esta terça-feira, com “efeitos imediatos”, do cargo de principal administrador (CEO) do Barclays. É a mais recente, e importante, baixa na direcção do banco, desde que se tornou público que este banco manipulava em seu proveito as taxas de juro Libor. A demissão, que surge depois de dias de crescente pressão política e da opinião pública, sucede-se à de Marcus Agius, o “chairman” do Barclays.

As baixas entre os principais responsáveis pelo Barclays chegam uma semana depois do banco ter chegado a acordo com as autoridades reguladoras britânicas e norte-americanas, aceitando pagar uma coima no valor de 455 milhões de dólares. Foi a maior penalização de sempre paga por uma instituição financeira britânica.

As investigações, que tiveram início depois de uma reportagem de 2008 do Wall Street Journal, incluem ainda importantes instuições do sistema financeiro como o Deutsche Bank, HSBC, Citigroup, JPMorgan Chase ou o Royal Bank of Scotland.

Ainda não é claro se Bob Diamond, que recebeu mais de 120 milhões de euros de salários e prémios desde 2006, irá ser indemnizado pelo banco, o que tem feito aumentar ainda a pressão popular sobre o caso. 

O dia de ontem foi marcado pelo debate parlamentar sobre este escândalo financeiro, num país ainda marcado pela nacionalização de uma importante fatia do sistema bancário na sequência da crise financeira.

Confrontado com o avolumar da pressão pública, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, declarou esta segunda-feira que a manipulação das taxas que regulam o preço dos empréstimos bancários é “um escândalo”. A oposição trabalhista, por seu lado, diz que este caso não se esgota na liderança do Barclays, antes revelando “a cultura e práticas de todo o sistema bancário”.

Enquanto no Parlamento britânico se sucedem as vozes a defender uma comissão parlamentar, o presidente do Banco de Inglaterra fala nas “práticas corruptas” da City, no que tem sido entendido pela imprensa britânica como a sugestão de que podem vir a ser levantadas acusações judiciais aos nomes de topo do Barclays.  

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