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Emigrantes lesados do BES tiveram dia de luta em Paris

A associação que representa os emigrantes lesados que recusam as condições impostas pelo Novo Banco reuniu 300 pessoas e manifestou-se em Paris. O próximo protesto é no dia 11 de agosto em Lisboa.
Foto AMELP/Facebook.

Os emigrantes lesados do BES não desistem de ver reconhecida a burla de que foram alvo aos balcões do BES. “Faz hoje 1050 dias que 8.000 famílias emigrantes portuguesas foram assaltadas dentro de um banco. A palavra se calhar é forte, assaltadas, mas é a realidade. De um dia para o outro, estas pessoas ficaram sem nada, foram roubadas”, afirmou à agência Lusa Helena Batista, vice-presidente da Associação Movimento Emigrantes Lesados (AMELP).

Este sábado, 300 emigrantes responderam à chamada para um encontro com a equipa jurídica da AMELP e essa reunião confirmou a posição de não aceitarem o acordo semelhante ao proposto pelo Novo Banco em 2015, que só lhes garantia o pagamento daqui a mais de 30 anos. "Se houver a mesma proposta de 2015, está fora de questão que a gente assine. Pelo contrário, apelamos a todas as pessoas para que, mesmo cansadas, mesmo desgastadas com o tempo e com os processos, não assinem nada", indicou Helena Batista. O próximo protesto está marcado para o dia 11 de agosto em frente à sede do Novo Banco, em Lisboa.

O protesto seguiu à tarde para as ruas de Paris e terminou com a Torre Eiffel como pano de fundo. Os emigrantes não desistem de verem cumpridas as promessas do primeiro-ministro e do Presidente da República feitas em Paris no ano passado. E lembram que recentemente deu entrada no parlamento uma petição a pedir o reconhecimento de que "os produtos vendidos aos emigrantes eram fraudulentos".

O Bloco de Esquerda também esteve presente na manifestação em solidariedade com a luta dos emigrantes lesados. Para Cristina Semblano, ”não é normal que eles estejam a ser enganados desta forma. Nós sabemos que há três soluções possíveis: uma delas seria um acordo com o Novo Banco, mas é necessário que o Novo Banco esteja de acordo; a segunda seria acções judiciais, mas nós temos de esperar as sentenças; e a terceira é uma solução política, e essa solução está nas mãos do governo português”, resumiu a dirigente bloquista.

Outra das figuras polícias solidárias com o protesto foi o vereador da Câmara de Paris, Hermano Sanches Ruivo, que apelou à solidariedade dos eleitos de origem portuguesa com os emigrantes lesados do BES. "A partir de um momento em que um estabelecimento bancário tem uma sede e uma actividade em França, todos os produtos e serviços que são por eles propostos, seja em França ou seja num outro país, têm que ter o aval e a validação. É importante o controlo das estruturas francesas, Banque de France, Comissão dos Valores", afirmou, sublinhando que é "Portugal que tem a grande responsabilidade".

 

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