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Em Portugal, o abandono escolar no secundário é superior a 30%

Segundo o relatório Education at a Glance 2017, publicado esta terça-feira, em nenhum outro dos 35 países que pertencem à OCDE há tantos alunos a desistir no último nível da escolaridade obrigatória, como em Portugal.
Em Portugal, o abandono escolar no secundário é superior a 30%
A taxa de não conclusão do ensino secundário na faixa etária entre os 25 e os 34 anos é de 31 por cento, “quase o dobro da média e uma das mais altas entre os países da OCDE”. Foto de Paulete Matos.

Segundo o último relatório que analisa o estado da educação nos países parceiros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) -  Education at a Glance 2017, em Portugal, a conclusão do ensino secundário “permanece um desafio significativo”, dado que apenas metade dos alunos do ensino secundário conclui este nível nos três anos previstos e 35 por cento acaba por desistir, cinco anos após o início deste nível de ensino (na OCDE, a média da taxa de abandono comparável é de 21 por cento).

Nos restantes países, em média, 68 por cento dos alunos terminam o secundário dentro do período previsto (três anos).

Os dados do relatório dizem respeito a 2015. No ano letivo de 2014/15, os primeiros estudantes abrangidos pelo alargamento da escolaridade obrigatória, até aos 18 anos, chegaram ao final do 12.º ano.

A taxa de conclusão, em Portugal, sobe para os 61 por cento, se se considerar um período de cinco anos, ou seja, duas retenções, ainda assim significativamente abaixo da média da OCDE: 75 por cento, para um período igual.

O caso de Portugal merece referência especial no relatório, juntamente com o Chile, que tem um problema semelhante. “Nestes países, o atraso na conclusão do ciclo de estudos pode ser um sinal de que há estudantes que estão a ficar para trás e a correrem risco de abandono”, pode ler-se na conclusões.

A taxa de não conclusão do ensino secundário na faixa etária entre os 25 e os 34 anos é de 31 por cento, “quase o dobro da média e uma das mais altas entre os países da OCDE”. Na faixa etária entre os 25 e os 64 anos, a taxa passa a 53 por cento, o que representa “uma melhoria significativa” para as gerações mais jovens, salienta-se no relatório.

O relatório aponta ainda o crescimento da frequência no ensino pré-escolar, na última década, estando já em percentagens acima da média da OCDE, o que leva a organização a considerar que Portugal está a dar “passos na direção certa, rumo ao objetivo de universalizar até 2020 a educação pré-escolar para as crianças entre os três e os cinco anos”.

Em Portugal, ainda há 30 por cento de população adulta que tem apenas o ensino primário.

Há ainda um outro indicador, no qual o país destoa da dinâmica europeia e de modo expressivo: segundo o relatório da OCDE, a maioria dos países da União Europeia diminuiu o número de alunos por turma, ao contrário de Portugal.

 

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