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Efacec: trabalhadores voltam à greve na próxima quinta-feira

No próximo dia 23 de novembro, os trabalhadores da Efacec cumprirão mais um dia de greve. Bloco anunciou que irá questionar o Governo sobre o Estatuto de Empresa em Reestruturação pedido pela Efacec que, apesar dos lucros apresentados em 2016, vai despedir mais de 400 pessoas.
Efacec: trabalhadores voltam à greve na próxima quinta-feira
Foto do site da Fiequimetal.

O grupo industrial Efacec opera nas áreas da engenharia, energia e da mobilidade e, a partir de outubro de 2015, passou a ser controlado pela empresária angolana Isabel dos Santos. Segundo Vítor Pereira, membro da Comissão de Trabalhadores da Efacec Energia, desde então, a empresa tem vindo a "atentar contra os direitos dos trabalhadores".

"O que temos assistido na empresa, no que se refere à reestruturação, é ao despedimento de pessoas, à mudança de categorias, num ataque aos direitos dos trabalhadores, situação que gera instabilidade e a que acresce o facto de não conseguirmos perceber qual é o projeto desta administração, nem qual vai ser o futuro", denunciou Vítor Pereira, em declarações à Lusa.

No próxima quinta-feira, no dia em que cumprirão mais uma greve de 24h, contra os despedimentos, os representantes dos trabalhadores irão também ao parlamento, para "contactos com os grupos parlamentares", disse Vítor Pereira, demonstrando ainda preocupação, considerando o que se está a passar em torno da administradora Isabel dos Santos, em Angola.

"Do que sabemos, a compra da Efacec continua envolta em alguns mistérios, logo preocupa-nos a possibilidade de daqui por uns tempos podermos ver uma notícia do envolvimento da Isabel dos Santos num escândalo qualquer", disse ainda.

Bloco anunciou que irá questionar o Governo sobre o pedido feito pela Efacec que permite despedimentos

Em declarações à Lusa, após uma reunião com a Comissão de Trabalhadores da Efacec Energia, esta segunda-feira, o deputado bloquista José Soeiro considerou os despedimentos promovidos pela administração como "gravíssimos”, do ponto de vista económico, laboral e também político.

"A administração da Efacec está a instaurar um clima de medo dentro da empresa para, no fundo, despedir centenas de trabalhadores", apesar dos "resultados positivos em 2016" e ter mantido "esse crescimento dos lucros em 2017", afirmou o deputado, que considerou "bizarra" a medida invocada perante o Governo, ao solicitar o “Estatuto de Empresa em Reestruturação” (EER).

"Vamos questionar o Governo sobre como é possível que uma empresa que apresenta resultados positivos esteja a utilizar a figura jurídica de EER para despedir trabalhadores, sendo que, ainda por cima, nem são os trabalhadores mais velhos os que estão a ver os seus contratos rescindidos, nem apresenta menor necessidade de funcionários".

Apontando o dedo aos gestores da Efacec, José Soeiro afirmou também que “os 409 trabalhadores abrangidos por estes despedimentos, ao abrigo do EER, estão a ser escolhidos a dedo entre os mais reivindicativos, incómodos e ativos do ponto de vista da atividade laboral e sindical, sendo substituídos por trabalhadores precários e em ‘outsourcing’".

"O EER não é um subsídio público para uma empresa substituir trabalhadores efetivos por precários ou em ‘outsourcing’, nem um mecanismo em que a empresa é financiada com dinheiros públicos para despedir os trabalhadores mais reivindicativos. Isto é gravíssimo e o Governo não o pode permitir", protestou.

Afirmando preocupação pela relação "opaca" entre a administração e os trabalhadores, José Soeiro considerou, por fim, que o processo apresenta "contornos semelhantes ao que está em curso na PT, onde, através do desmembramento da empresa, são transferidos trabalhadores para outras empresas".

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