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Editora da BBC China demite-se contra desigualdade salarial

Ao fim de 30 anos na empresa, Carrie Gracie apresentou a demissão do cargo na sequência das revelações sobre a diferença nos salários pagos pela BBC a homens e mulheres para as mesmas funções.
Carrie Gracie é uma das jornalistas da BBC que se tem destacado na luta pela igualdade salarial na empresa pública de rádio e televisão britânica. Foto publicada na sua conta no Twitter.

Em 2014, a jornalista foi convidada pela BBC, onde trabalha há cerca de três décadas, para assumir o cargo de editora na redação em Pequim. “Aceitei o desafio e sublinhei aos meus chefes que devia ser paga tal como os meus colegas homens. Como muitas mulheres na BBC, suspeitava há muito tempo que era pior paga, e nesta altura da minha carreira estava determinada a não deixar que isso voltasse a acontecer”, diz Carrie Gracie na carta aberta ao público da BBC.

Mas em julho passado, a estação pública de tv e rádio britânica foi obrigada a revelar os salários das suas estrelas acima de 150 mil libras, e verificou-se que dois terços eram homens.

Foi nessa altura que Carrie Gracie descobriu que os editores da BBC para os EUA e o Médio Oriente, ambos homens, estavam nessa lista, enquanto     as mulheres no cargo de editora da BBC para a Europa e a China não foram incluídas. Ambas ganham um salário 50% inferior ao dos seus colegas homens com funções semelhantes.

Na sequência das revelações, Carrie exigiu salários iguais para a mesma função, tal como exige a lei aprovada em 2010. “A quantia certa caberia a eles determinar e eu deixei claro que não estava a pedir um aumento, apenas salário igual”. Mas a resposta dos seus chefes foi propor-lhe um aumento salarial que não iria resolver a diferença em relação aos editores homens.

“Para as mulheres da BBC, não se trata apenas de uma questão de um ou dois anos de salário. Tendo em conta os contratos desfavoráveis e os direitos nas pensões, este é um fosso que vai durar toda a vida. Muitas das afetadas não são as ‘estrelas’ bem pagas mas produtoras que trabalham muito por salários modestos. Muitas vezes, os fossos salariais são maiores para as mulheres que pertencem a minorias étnicas do que para as restantes”, acusa Carrie Gracie, apontando o dedo à “cultura de segredo” na política salarial da BBC.

“A BBC tem de admitir o problema, pedir desculpas e definir uma estrutura de pagamentos igual, justa e transparente. Para evitar que a sua taxa de televisão seja gasta em disputas judiciais condenadas ao fracasso contra as suas funcionárias mulheres, a BBC deve aceitar de imediato a arbitragem independente para resolver os casos individuais”, defende a jornalista veterana, que sai do seu cargo na China para regressar ao posto que deixou na redação da televisão pública, “onde espero ser paga com igualdade”, sublinha.

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