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“Discriminação racial” em enterro cigano

O presidente da junta de Cabeça Gorda recusou autorizar o enterro de um cidadão cigano. Bloco de Esquerda já questionou o Governo sobre possível “discriminação que é ilegal”.
Presidente da junta de Cabeça Gorda em Beja recusou enterro de um cidadão cigano. Foto de José Coelho/Lusa.
Presidente da junta de Cabeça Gorda em Beja recusou enterro de um cidadão cigano. Foto de José Coelho/Lusa.

O deputado do Bloco de Esquerda José Manuel Pureza questionou o Ministério da Justiça sobre a recusa do do presidente da Junta de Freguesia de Cabeça Gorda em realizar o velório na casa mortuária de um membro da comunidade cigana, alegando que este não era natural nem residia na localidade. O caso revoltou a comunidade cigana de Beja e a família já avançou com acção legal contra o autarca.

José Garcia era pastor da Igreja Evangélica de Filadélfia e após indisposição repentina teve foi ao médico, acabando por falecer no Centro de Saúde de Moura. Em declarações ao jornal Público, um familiar confessou que “o senhor presidente da junta disse que o corpo não podia ser velado nem enterrado na Cabeça Gorda porque o falecido não tinha cá família nem residência. E acrescentou: ‘Que vá para Pias, que foi onde morreu, ou então para Mértola, a terra onde nasceu”.

António Nobre, presidente da junta de freguesia de Cabeça Gorda argumentou que os regulamentos do cemitério da freguesia só permitem o enterro de cidadão nascidos na freguesia e só aceita excepções mediante autorização. Mas José Garcia é casado com uma habitante da freguesia de da Cabeça Gorda.

Para o deputado José Manuel Pureza “a ser verdade aquilo que vem na imprensa isto pode configurar um caso de discriminação que é ilegal, porque viola a constituição e a lei”, afirmou ao esquerda.net.

O caso está a ser acompanhado por Pedro Calado do Alto Comissariado para as Migrações (ACM), e tem suscitado a revolta da comunidade cigana, que se diz vítima de discriminação.

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