Esta quarta-feira, pelas 9.30 horas, o dirigente do Bloco/Madeira Roberto Almada será julgado no 2º Juízo Criminal do Funchal por difamação com publicidade e ofensa a pessoa coletiva por ter associado, em julho de 2007, os gastos excessivos em obras públicas ao poder regional do PSD/Madeira, incorrendo, no que respeita à última acusação, a uma indemnização de 50 000 euros, a pagar à empresa Tecnovia Madeira.
Esta acusação surge na sequência das declarações de Roberto Almada à RTP-Madeira e ao Diário de Notícias da Madeira, em julho de 2007, nas quais pôs em causa a atribuição das obras de construção de uma nova via rodoviária entre os Barreiros e a zona da Cruz de Carvalho, no Funchal, à empresa Tecnovia Madeira, sublinhando que estas obras, da forma como estão projetadas, representam uma carga excessiva para o erário público.
O dirigente do Bloco/Madeira afirmou, nessa altura, que esta obra é “feita à medida”, “só que a medida não é do interesse público mas de um empresário: Jaime Ramos”. Roberto Almada avançou ainda que “a empresa que ganhou essa obra foi a Tecnovia do senhor Jaime Ramos que é presidente do grupo parlamentar do PSD” e que “é por isso que o PSD e o governo Regional não querem uma lei de incompatibilidades na Madeira”, que, a seu ver, é imperativa “para pôr fim a esta promiscuidade entre o governo, deputados e empresários, na qual quem de manhã decide é quem à tarde ganha com essa mesma decisão”.
Ainda que a Tecnovia Madeira negue que Jaime Ramos tenha qualquer cargo de poder na empresa ou detenha qualquer participação na mesma, a ligação do presidente do grupo parlamentar do PSD na Assembleia Legislativa da Madeira ao mundo empresarial da construção e obras públicas e também à Tecnovia Madeira, é dada como assente e verdadeira, nos meios sindicais, na comunicação social regional e nacional, nos meios políticos da oposição e na opinião pública da Madeira e do continente.
Comentários
Jaime Ramos acumula o cargo de líder parlamentar do PSD/Madeira com o de sócio - via testas de ferro e offshores - de empresas de construção que fazem obras aprovadas pelo governo do PSD/Madeira. Isso é conhecido em toda a ilha e dar a cara para denunciar a podridão do jardinismo, ao contrário do que diz o Nuno, não rende votos, bem pelo contrário... Mas é importante haver quem o continue a fazer e sem medo, a bem da Região!
Quando alguém faz uma acusação, sobretudo uma acusação grave, tem de estar preparado para a sustentar. Por sustentar entende-se fundamentar cabalmente a mesma, excluindo a típica postura tendenciosa da teoria da conspiração. Não estou com isto a implicitar que a acusação de promiscuidade não seja verdadeira e justa, mas há que o justificar cabalmente senão acontece precisamente o que está a acontecer. Acusar só para se falar ou para se atingir um tipo de protagonismo que ganhe votos, é algo bastante fraco. Esforço e trabalho relacionam-se com investigar as situações, para que depois do trabalho feito se fale do que se sabe. Se querem ser levados a sério, algo que está ainda muito longe de acontecer, façam o trabalho de casa primeiro. Só após isso será altura de, ponderadamente, escolher falar ou não.
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