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Dilma Rousseff: “Estamos a um passo de um golpe de Estado”

Dilma Rousseff fez esta segunda-feira perante o Senado o discurso de defesa no julgamento do processo de destituição tendo afirmado que não cometeu os crimes de que é “injusta e arbitrariamente” acusada.

Durante cerca de uma hora, a Presidente suspensa, começou por afirmar que estava ali para “olhar diretamente nos olhos de vossas excelências e dizer, com a serenidade dos que nada têm a esconder, que não cometi nenhum crime de responsabilidade, não cometi os crimes de que sou acusada, injusta e arbitrariamente".

“Cassar o meu mandato é como me submeter a uma pena de morte política”, sublinhou, tendo feito a analogia do seu julgamento com aquele a que foi sujeita durante a ditadura.

Cassar o meu mandato é como me submeter a uma pena de morte política

"Neste momento", afirmou, "o Brasil está a um passo de uma grave ruptura institucional. Estamos a um passo da concretização de um verdadeiro golpe de Estado”.

Acompanhada pelo ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e também por dezenas de ex-ministros do seu governo e por apoiantes, como o cantor Chico Buarque, Dilma Rousseff falou na condição de ré diante dos senadores, que serão os juízes que selarão o seu destino e mandato no processo de destituição.

Acusações são meros pretextos”

“Todos sabem que esse processo de impeachment [desituição] teve início numa chantagem explícita do ex-presidente da Câmara”, avançou Dilma Rousseff, que identificou Eduardo Cunha, Michel Temer, atual chefe de Estado interino, e a grande média conivente com a direita brasileira, como os seus grandes inimigos.

“As provas produzidas deixam claro que as acusações contra mim dirigidas são meros pretextos”, sublinhou, tendo acrescentado: “Votem pela democracia. Não luto pelo meu mandato. Não luto pelo meu mandato, por vaidade ou por apego ao poder”. Luto pela democracia, pela verdade e pela justiça. Luto pelo povo do meu país”, explicitou.

Durante a sua intervenção, Dilma afirmou ainda que “entre os meus defeitos não está a deslealdade e a cobardia”.

“Aos quase 70 anos de idade, não seria agora, sendo mãe e avó, que abriria mão dos meus princípios”, avançou.

E fez questão de mencionar o facto de o executivo de Michel Temer ser composto maioritariamente por homens brancos, e ter um programa mais interessado em “acomodar os interesses dos mercados do que nas medidas sociais.”

“É um governo que dispensa negros na sua governação, que revela desprezo pelo programa escolhido pelos eleitores em 2014. O que está em jogo no processo de impeachment não é só o meu mandato”, referiu, tendo avançado que o atual governo  "dispensa negros na sua governação o que releva desprezo pelo programa escolhido em 2014”.

“O que está em jogo é o respeito pelos eleitores, a Constituição, os ganhos dos últimos 13 anos, conquistas da classe média, jovens, valorização do salário mínimo, os médicos atendendo a população, o sonho de casa própria”, rematou Dilma Rousseff.

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