O acordo entre os governos da Bélgica e França para evitarem a falência do Dexia surgiu após catorze horas de reunião com a administração do banco que emprega 6 mil pessoas e conta com 4 milhões de clientes e depósitos no valor de 80 mil milhões de euros. O banco acaba por ser reestruturado, com a nacionalização do braço belga e a venda do braço luxemburguês a um fundo soberano do Qatar. A filial turca também está à venda e a imprensa diz que há vários interessados, como o BBVA e os russos do Sberbank.
O Dexia tem cerca de 95 mil milhões de euros em títulos desvalorizados, incluindo os da dívida grega, italiana, espanhola e portuguesa no valor de 20 mil milhões. Estes títulos deverão passar para um outro banco suportado com garantias financeiras no valor de 95 mil milhões de euros, provenientes sobretudo dos cofres franceses e belgas.
O desmantelamento do banco passa portanto pela criação dum banco de retalho nacionalizado pela Bélgica, um "banco mau" proprietário dos activos "tóxicos" e um banco francês para financiar instituições locais.
A desconfiança sobre o processo de nacionalização do banco, que ainda em Julho passara os "testes de stress" exigidos pela UE e tinha um rácio de 11% em fundos próprios, está alastrar para o resto da banca francesa. O BNP Paribas e a Société Generale já desmentiram serem os próximos a pedir injecções de capital no âmbito do plano europeu de recapitalização da banca desejado por Merkel e Sarkozy.
Em comunicado, a Attac-França diz que "esta situação está directamente ligada à irresponsabilidade do Estado francês, que a seguir à crise de 2008 socorreu de forma espectacular os principais grupos bancários sem nunca exigir em contrapartida o direito de inspeccionar os seus negócios". Foi assim, no entender desta associação que se bate contra "a ditadura dos mercados financeiros", que o Dexia e outros bancos "puderam continuar as suas práticas de alto risco, sabendo que o Estado - e os contribuintes - estarão sempre lá para passar uma esponja sobre os prejuízos".
Dexia vai custar 4 mil milhões à Bélgica
11 de outubro 2011 - 11:19
A nacionalização do braço belga do banco Dexia vai custar aos contribuintes belgas quatro mil milhões de euros, com as necessidades de financiamento a dez anos a serem garantidas pelos Estados belga, francês e luxemburguês. Já em 2008 os belgas tinham pago 3 mil milhões para "salvarem" o mesmo banco.
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Banco Dexia é salvo pela segunda vez em três anos e a factura cresce acima de 7 mil milhões para os contribuintes belgas. Foto DuvalGuillaume/Flickr