"A saída de Marcos Perestrello mostra que com toda esta pressão que se está a criar está a afastar da minha empresa pessoas, profissionais, que eram uma mais-valia", disse Braz da Silva, o homem que passou a ser o proprietário e presidente do Conselho de Administração da Finertec, abandonando a administração do Banco Fiduciário Internacional. O BFI, registado em Cabo Verde, era o proprietário da empresa e foi apontado por um dos investigadores da megafraude do BPN como um dos bancos que existia para "servir os empresários angolanos que queriam meter dinheiro fora de Angola".
Marcos Perestrello está em campanha pela renovação do mandato à frente da influente Federação da Área Urbana de Lisboa do PS e fazia parte da comissão de honra da candidatura falhada de Braz da Silva à presidência do Sporting, a par do economista João Duque e dos ministros do Petróleo e das Relações Exteriores de Angola, quando ainda era secretário de Estado da Defesa do governo de José Sócrates.
Na Assembleia da República, Marcos Perestrello tem acompanhado os trabalhos da Comissão Parlamentar de Defesa, onde assiste às audições à porta fechada dos responsáveis pelos serviços secretos portugueses. Ainda em janeiro passado, o então administrador da Finertec anunciava a chamada ao Parlamento do secretário-geral do SIRP, Júlio Pereira, "para perceber as consequências do ambiente que se tem vivido nos serviços de informação" e para "perceber a influência desta agitação pública". Cinco meses mais tarde, tudo indica que tenha sido essa "agitação pública" a ter influência decisiva na sua demissão da empresa controlada pelo capital angolano.
Deputado do PS abandona Finertec
08 de junho 2012 - 11:58
O deputado socialista e presidente da distrital de Lisboa do PS entrou para a administração da empresa depois de Miguel Relvas ter saído da Finertec para o Governo. O proprietário da empresa diz que na origem da saída estão "as pressões" por causa das notícias das últimas semanas.
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Marcos Perestrello num debate da FAUL com Rui Paulo Figueiredo, outro socialista envolvido na história da "espionagem a Belém" em 2009. Foto FAUL