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CP retira comboios de circulação devido a "custos de manutenção"

Alegando a necessidade de poupar nos custos de manutenção, a CP retirou do serviço oito comboios suburbanos da grande Lisboa que necessitavam de uma revisão.
Foto de Paulete Matos
Foto de Paulete Matos

O jornal Público escreve na sua edição desta segunda-feira que dois comboios de dois pisos estão desde 2013 estacionados num ramal da estação de Campolide devido ao facto de a CP ter entendido que "não faziam falta" para a operação nas linhas de Sintra e Azambuja.

O jornal refere que estes comboios denominados Unidades Quádruplas Elétricas (UQE) tiveram um custo unitário de 5,7 milhões de euros e entraram ao serviço em 1999 tendo atingindo há quatro anos o seu limite de quilometragem sendo por isso necessária uma revisão geral com o objetivo de lhes prolongar a vida útil durante mais 20 anos.

Porém, a administração da empresa decidiu não proceder sua à revisão uma vez que esta obrigava a investimento de um milhão de euros para cada uma.

De acordo com o Público, dois anos antes, o Plano Estratégico dos Transportes (PET) que foi apresentado pelo então secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações do Governo PSD/CDS, Sérgio Monteiro, reduziu a oferta de transportes públicos seguindo as imposições da troika e, desta forma, parte do material circulante passou a "não ser necessário".

Uma fonte oficial da CP disse ao jornal que “para assegurar o serviço da CP Lisboa são necessárias 10 UQE da série 3500 uma vez que as necessidades de rotação são de apenas 8 UQE, foi decidido imobilizar 2 UQE na data em que atingiram a quilometragem da revisão geral”.

Perante esta situação, a CP diz que procedeu ao “adiamento da despesa correspondente à execução da revisão geral, que de alguma forma foi útil nos últimos anos face às restrições de caráter orçamental” mas tal decisão levou à paragem e consequente degradação do material que teve um custo de 6,4 milhões de euros.

Composições “à chuva e ao sol”

Esta decisão contraria ainda os manuais em relação a um princípio básico de gestão de frota e que passa pela necessidade de estes irem rodando, mesmo quando são excedentários, uma vez que a sua utilização evita uma menor degradação.

Acresce que, segundo o jornal, não houve sequer a preocupação de colocar as composições num local resguardado e assim as UQE estão ao sol e à chuva na estação de Campolide.

Para a CP, tal parece não constituir um problema e explica que o material “ficou parqueado no local onde se encontra o restante material afeto à circulação destas linhas, uma vez que faz parte desse parque de material”.

Além destas, a empresa tem mais seis UQE no Algueirão-MemMartins que atingiram igualmente o limite da sua primeira vida estando paradas à espera da revisão geral, cujo orçamento ronda um milhão de euros para cada uma. Ou, segundo o Público, talvez um pouco mais, porquanto o material parado e à chuva e ao calor degrada-se mais do que se passasse logo da operação para a oficina.

A CP alega ainda que as razões para não ter feito a revisão aos oitos comboios se ficou a dever à “falta de capacidade” da EMEF uma vez que esta tem de cuidar de toda a frota da CP e luta com “falta de meios financeiros e humanos por causa das restrições impostas às empresas públicas nos últimos anos”.

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